Política econômica pode prejudicar crescimento, prevê Skaf

O crescimento econômico de 2005 poderá ser comprometido, caso o governo federal não altere a atual política econômica, disse hoje o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. "Ou muda a política econômica, ou não teremos, no ano que vem, o desempenho que teremos este ano", disse ele, em entrevista coletiva, ao chegar ao Clube Monte Líbano, em São Paulo, onde o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, proferirá palestra em evento da Associação de Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB). Skaf projetou para este ano o crescimento do PIB superior a 4,5%, mas entende que o aumento de gastos públicos pelo governo federal, além da política de aumento de juros promovida nas últimas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, poderão comprometer o desempenho da economia em 2005. "O governo precisa reduzir despesas. Este ano, os gastos públicos acumulados estão 12,6% acima da inflação. Se houvesse controle, não precisava aumentar os juros", argumentou. Além disso, ele entende que a alta dos juros impõe restrições ao consumo e, conseqüentemente, à atração de investimentos. "Primeiro vem a demanda e só depois o investimento. Se em cada nova demanda houver restrição de crédito e aumento dos juros, o investimento é inibido", opinou. Ele comentou ainda que uma política de controle dos gastos públicos teria como resultado a manutenção de juros mais baixos, trazendo, assim, uma "tendência de valorização do dólar frente ao real", condição necessária para que o País mantenha o atual nível elevado de exportações, na opinião de Skaf.

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