Política externa protege Brasil de crises externas, diz Lula

'Nós estamos não tão tranqüilos mas maduramente tranqüilos e assentados com o pé no chão', afirma

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo,

29 de abril de 2008 | 15h22

No discurso de saudação aos novos diplomatas, nesta terça-feira, 29, no Itamaraty, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a política externa brasileira e disse que graças a ela o Brasil não está hoje vulnerável às crises externas.   Veja também: Cronologia da crise financeira  Entenda a crise nos Estados Unidos     "Imagina se a crise imobiliária americana, que está acontecendo neste momento, tivesse acontecido no Brasil há 15 anos. Certamente esta crise tinha resvalado no Brasil e certamente seria como quando aconteceu com a crise asiática", disse o presidente para, em seguida, comemorar que desta vez "nós estamos não tão tranqüilos mas maduramente tranqüilos e assentados com o pé no chão, exatamente por causa da política externa brasileira".   Segundo o presidente, essa tranqüilidade se deve à diversificação de parceiros comerciais da América Latina, África, Oriente Médio e Ásia e ao equilíbrio da balança comercial. Ele ressaltou ainda no discurso que o Brasil já não depende mais de uma ou duas potências. "Temos produtos para vender em vários lugares do mundo e temos dinheiro para comprar em vários lugares do mundo. E isso nos dá a sensação de liberdade e de poder escolher os parceiros sem relegar os antigos para o segundo plano."   Lula reconhece que parceiros como Estados Unidos e União Européia são importantes, "mas precisamos procurar novos parceiros para que nossa relação seja mais forte com os Estados Unidos e a União Européia e quanto mais amigos nós tivermos mais os velhos amigos vão trabalhar para não perderem a nossa amizade".   Biocombustíveis   No discurso, o presidente voltou a criticar os que atribuem a crise mundial de alimentos à produção de biocombustíveis. "Essa no mínimo é uma distorção absurda", afirmou o presidente. Segundo ele, a experiência brasileira demonstra que a produção de biocombustíveis não ameaça a segurança alimentar e ao contrário gera empregos e combate o aquecimento global.   Lula avisou que vai continuar fazendo esse discurso sempre que for preciso e que o Brasil não deve ter medo desse debate. Ele salientou ainda que quando começou essa discussão da produção de alimentos jamais imaginou que isso pudesse ser usado contra o Brasil.   O presidente voltou a criticar os subsídios concedidos pelos países ricos aos seus produtores, questionando por que eles não eliminam esses subsídios para dar chance aos países mais pobres.   Ele disse que espera que a Rodada Doha seja concluída o quanto antes e que acredita nas negociações que estão sendo desenvolvidas. O presidente ressaltou ainda a política de solidariedade do Brasil com outros países.   "A política externa que praticamos é sem preconceitos e com base na democracia. Tenho lutado por solidariedade e isso nada tem de incompatível com a defesa dos interesses nacionais, mas ao contrário. O interesse de longo prazo é melhor defendido com postura de compreensão e cooperação. E com isso se obtém mais resultados do que pela confrontação", afirmou.

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