Política fiscal deve levar em conta os investimentos, diz Dilma

Presidente avalia que o uso do poder de compra é algo consagrado como um dos mecanismos aceitos para garantir a sustentação do crescimento econômico

27 de junho de 2012 | 12h45

BRASÍLIA - O agravamento da crise internacional tem que ser observado com atenção, na avaliação da presidente Dilma Rousseff. "Esse cenário nos preocupa, mas não amedronta", disse, durante evento realizado no Palácio do Planalto. Ela enfatizou que nenhum país pode permitir hoje a realização de uma política fiscal que não leve em conta os investimentos e disse que o Brasil não faria qualquer aventura fiscal. "Aventura fiscal é se comportar como não se não tivesse acontecendo nada. Não nos amedrontamos, mas não podemos fingir que nada está acontecendo", afirmou.

Dilma ressaltou que toda a sociedade, citando segmentos como o legislativo, judiciário e empresários, deve ter a consciência de que a situação internacional é diferente. Mesmo assim, ela disse que o Brasil possui recursos para encontrar um caminho e continuar crescendo. "Não podemos ter a soberba de achar que podemos brincar à beira de precipício", alertou.

A presidente se vangloriou de o governo ter antecipado, durante o lançamento do Plano Brasil Maior, em agosto de 2011, um problema que assumiria a dimensão atual, com a crise do euro. "O poder de compra do Estado seria um dos instrumentos fundamentais para estimular a nossa economia, garantir empregos e gerar renda. Hoje tomamos mais uma iniciativa para usar o poder de compra", citou.

Compras para estimular economia

O uso do poder de compra é algo consagrado como um dos mecanismos aceitos para garantir a sustentação do crescimento econômico, na opinião da presidente. "Mal ou bem foi feito nos Estados Unidos, na China, e foi objeto da disputa eleitoral na Europa", enumerou. Dilma disse que frases como "compre produtos americanos" ou "compre produtos chineses", é algo que faz parte do processo de resistência à crise.

Para a presidente, a política de compras governamentais lançada hoje é a afirmação de que o governo possui mecanismos para enfrentar a crise internacional e vai usá-los "sem nenhuma restrição". Segundo ela, o País seguirá estimulando o investimento e o consumo sem comprometer a estabilidade fiscal.

Ela disse que o Brasil vai tomar todas as medidas necessárias para proteger a produção e os empregos do País. "Vamos criar e expandir parcerias internacionais para fazer isso e estamos tomando todas as medidas aqui no Brasil. Por que somos otimistas, apesar de sóbrios? Porque temos os instrumentos para preservar a saúde econômica e as conquistas sociais. Desenvolvemos modelos em bases sólidas, modelo que está fincado em pés brasileiros."

Dilma comentou que houve expansão do mercado de consumo e que foi criado um mercado de massa. "É óbvio que não somos uma ilha e que sofremos influência da redução do comércio internacional", admitiu, acrescentando, porém que, como o País tem pouca exposição financeira à crise, a posição do Brasil é confortável.

A presidente comentou ainda que a relação câmbio/juros ficou um pouco melhor, que há um processo de desoneração de investimentos e que o governo decidiu avançar em investimentos públicos em um momento em que o investimento privado recua. Segundo ela, esse recuo é natural em momentos críticos. "Isso assegura que não há interrupções", resumiu.

Europa

Dilma avaliou que as medidas tomadas até agora pelos países europeus no sentido de enfrentar a crise que afeta a zona do euro parecem estar durando pouco, além de despertarem a desconfiança do mercado e da população. Segundo ela, o Brasil e outros países emergentes têm esperado uma solução mais sistêmica a cada reunião da União Europeia.

"Acreditamos que combinação entre crise de dívidas bancária e soberana é mais complexa que a situação que atingiu os Estados Unidos em 2008. Essa crise atual me parece ser mais longa e mais crônica, necessitando de mais medidas para ser controlada", completou Dilma.

Para a presidente, a solução para os problemas europeus é de interesse de toda a humanidade, e Dilma lembrou ainda que a crise também afeta o comércio das economias emergentes. Por isso o Brasil se propôs a aumentar em mais US$ 10 bilhões sua contribuição ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

"Trata-se de uma crise de um dos melhores projetos da humanidade, que foi a União Europeia e o euro, que superaram os conflitos que levaram a grandes guerras no século passado. Portanto é do interesse de todos que processo seja preservado", acrescentou. A presidente destacou, porém, que o euro ainda é um projeto incompleto, porque ainda faltam à UE uma união fiscal, tributária, financeira e política.

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