Política fiscal firme deve ser prioridade

Bacha e Belluzzo concordam que sem esforço por um superávit primário, alternativa será elevar juros e comprometer o crescimento

ALEXA SALOMÃO, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2013 | 02h12

Há poucas semelhanças entre o mineiro Edmar Lisboa Bacha e o paulista Luiz Gonzaga Belluzzo. Ambos nasceram no mesmo ano, 1942, e na década de 80 participaram da implantação do Plano Cruzado durante o governo de José Sarney. Hoje os dois estão preocupados com a sobrevivência da indústria nacional. Afora isso, seguem doutrinas econômicas bem diferentes. Bacha é um neoliberal. Defende a economia de mercado e não esconde as preferências políticas pelo PSDB. É professor titular da PUC-Rio, a escola dos chamados monetaristas, que priorizam a disciplina nas contas pública e o Estado mínimo. Belluzzo considera o mercado ineficiente e dependente da orientação do governo. Apoiou o PMDB e aproximou-se da gestão petista. É professor titular da Unicamp, em São Paulo, reduto dos desenvolvimentistas, o grupo que prega a intervenção do Estado na economia.

Neste momento, porém, Bacha e Belluzzo concordam em um ponto: o governo precisa priorizar a política fiscal. O controle dos gastos e o equilíbrio das contas públicas são fundamentais para ajudar o Banco Central a controlar a inflação. Caso contrário, será preciso aplicar um remédio amargo para deter a alta dos preços: elevar o juro e comprometer o crescimento de 2013, que já da sinais de fraqueza. "Precisamos mostrar para os ditos investidores, que não são racionais, que há um superávit primário sustentável ao longo do tempo", diz Belluzzo. Na avaliação de Bacha, se o governo insistir na política fiscal expansionista será um "desastre", diz ele. "Ai, sim, o dólar dispara."

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