Política industrial apoiará setor forte em mão-de-obra

A informação é do presidente do BNDES, Luciano Coutinho

Agencia Estado

27 de junho de 2007 | 16h18

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse nesta quarta-feira, 27, que a nova política industrial do governo que está em elaboração deve apoiar três setores: os setores intensivos em mão-de-obra; os setores competitivos, como commodities, para a criação de empresas de atuação global; e as subsidiárias de empresas multinacionais, como as montadoras de automóveis.Luciano Coutinho explicou, durante audiência na Comissão de Desenvolvimento, Indústria e Comércio da Câmara, que as linhas da política industrial não estão totalmente fechadas e ainda dependem de uma reunião com a Câmara de Política Econômica para virar uma política de governo. No caso dos setores intensivos em mão-de-obra, que sofrem com a concorrência internacional em função da apreciação do câmbio, Coutinho disse que "o caminho inteligente" é a inovação para o desenvolvimento de produtos diferenciados que possam escapar da competição em custos e preços."Esse é o caminho possível para esses setores para preservá-los, e que são importantes na geração de empregos", disse. Segundo ele, é muito difícil vencer a China e a Índia na questão de custo e preço dos produtos. "Temos que financiar projetos de inovação para produtos diferenciados que possam competir com uma margem de lucro mais alta", afirmou.Luciano Coutinho afirmou que o BNDES deve melhorar as condições de financiamento às exportações, o que deve servir como "uma alavanca poderosa" para esses setores. Outro ponto da política industrial será o estímulo à formação de grandes empresas com atuação no mercado internacional. Ele lembrou que o BNDES apoiou recentemente a compra da americana Swift pela Friboi. "A nova política deverá ajudar a fortalecer grandes empresas brasileiras de atuação global em setores que o Brasil é competitivo, como o setor de commodities", explicou.Uma terceira perna da política industrial, conforme Coutinho, é o apoio a complexos importantes, com presença internacional. "Nos setores onde há a presença de grandes empresas internacionais", como o setor automobilístico, a idéia é reforçar o papel das empresas nas subsidiárias no Brasil de maneira a reforçar a base manufatureira brasileira", explicou. Ao ser questionado sobre os instrumentos que seriam usados, o presidente do BNDES disse que há um conjunto de medidas em estudo. Segundo ele, o BNDES tem como instrumentos o crédito e a capitalização de empresas.Já o Ministério do Desenvolvimento tem como instrumento a política tarifária, enquanto o Ministério da Fazenda tem o tratamento tributário. "É um conjunto de esforços que podem reabilitar essas empresas. Existe um poder de compra do governo em várias áreas e esse conjunto de instrumentos já está assinado para que a política industrial tenha mais eficácia", informou.PPPsCoutinho afirmou também que as Parcerias Público-Privadas (PPPs) foram eleitas como "panacéia" mas não são a única modalidade de concessão de obras e serviços públicos. Segundo ele, o processo de aprovação de uma PPP é bastante complexo e leva entre 500 e 600 dias para ficar pronto. "Essa é uma das dificuldades de operação das PPPs. Estamos solicitando a simplificação do processo", disse.O presidente do BNDES disse que existe um estoque de projetos que tramitaram nos últimos dois anos e que estão prontos para serem executados. Coutinho afirmou que a PPP é uma modalidade especial de concessão e que a concessão simples é mais rápida. Disse ainda que se encontram na carteira do BNDES 126 projetos do Programa de Aceleração do Crescimento. Para ele, um dos desafios do Banco é o desenvolvimento regional .Na sua opinião, a participação do banco em projetos sociais pode ocorrer em grandes projetos de saneamento e urbanização. O BNDES, segundo ele, tem que dar capacidade de financiamento aos estados. Onde as empresas de saneamento não estiverem capacitadas para tomar o financiamento, o BNDES terá de ajudá-las a se capacitarem, explicou.Balança comercialO superávit da balança comercial deve começar a diminuir em 2008, afirmou o presidente do BNDES. Na avaliação de Coutinho, como as importações estão crescendo muito mais rapidamente do que as exportações, na margem é inevitável que o superávit caia. "Provavelmente o superávit em 2008 será menor que em 2007. A minha expectativa, como economista, é que o superávit se reduza", disse Coutinho. Ele acredita que a queda do superávit da balança comercial e a redução dos juros devem diminuir a pressão cambial. "A tendência é que em alguns meses a pressão cambial comece a moderar. Mas enquanto essa questão dos juros e do câmbio não vem estamos nos empenhando para ajudar os setores", disse Coutinho.

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