Política industrial sai na segunda com quatro macrometas

Medidas serão anunciadas pelo presidente Lula da Silva, no Rio, na segunda

Leonencio Nossa, Paula Puliti e Luciana Xavier, da Agência Estado,

08 de maio de 2008 | 11h56

O governo deve anunciar na próxima segunda-feira, 12, uma nova política industrial para o País, que deve abranger 24 setores da economia. De acordo com o porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, para atingir quatro "macrometas", serão adotadas medidas de desoneração de impostos, incentivo de crédito e financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), desburocratização e eliminação de entraves à exportação e à concorrência internas, além de incentivo a investimentos em certificação, metrologia e capacitação empresarial. A nova política industrial, que recebeu o nome de Política de Desenvolvimento Produtivo para o País, terá por objetivo cumprir quatro macrometas. São elas: elevação do investimento direto na economia para 21% do PIB em 2011; ampliação da participação das exportações brasileiras no comércio mundial de 1,17% em 2007 para 1,5% em 2011; aumento de 10% no número de micro e pequenas empresas exportadoras; e estímulo à inovação no setor industrial com medidas para elevar os investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento de 0,51% do PIB, em 2006, para 0,65% do PIB em 2010.  As medidas para se chegar a essas metas serão divulgadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Rio, na segunda-feira. A solenidade de lançamento do plano ocorre às 10 horas, na sede do BNDES. O Palácio do Planalto convidou para a solenidade os 27 governadores, parlamentares e empresários. "Caixinha" De acordo com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, além dos 24 setores, o plano terá ainda o que ele chamou de "caixinha", na qual estarão incluídas outras áreas da indústria. "Não consideramos que deveríamos escolher quais seriam os vendedores e quais seriam os perdedores. Isso não é papel do governo", afirmou ao AE Broadcast Ao Vivo. Na avaliação do ministro, o papel do governo é induzir o desenvolvimento. "Não podemos deixar isso na mão do mercado. O mercado não é perfeito, é imperfeito. O governo também não é perfeito, mas tem grande possibilidade de alavancar políticas de desenvolvimento", admitiu. Um exemplo disso, segundo o ministro, é o governo usar sua capacidade de compra, que hoje é dispersa. Para citar um exemplo concreto, o ministro contou que em paralelo às discussões da Política de Desenvolvimento Produtivo, o governo conversou com diversas empresas. E, sabendo do interesse do governo em usar seu poder de compra, a General Electric fabricou e vai entregar na semana que vem a primeira locomotiva pesada feita no Brasil em 40 anos. "Por que não comprarmos determinados equipamentos fabricados no Brasil, mesmo que haja grande parte de material importado? Por que não atrair fabricantes para produzir aqui e tornar o País uma plataforma exportadora?", provocou. Dólar Miguel Jorge afirmou ainda que o novo plano para a indústria irá estimular as exportações. "Certamente não compensará essa valorização do real, que tem muito mais a ver com o enfraquecimento do dólar no mundo todo. Mas acredito que podemos dar alguma vantagem ao exportador", declarou.

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