Política industrial só depois do dia 20

Anúncio deve ser feito após o retorno do presidente Lula de uma viagem à África, diz o ministro Miguel Jorge

Paula Puliti, O Estadao de S.Paulo

09 de outubro de 2007 | 00h00

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, disse ontem que a nova política industrial não deve ser anunciada antes de 20 de outubro, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e comitiva retornam de uma viagem à África.O ministro disse ainda que ''''pela primeira vez na história deste país'''' os Ministérios de Ciência e Tecnologia e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior estão desenvolvendo em conjunto medidas ligadas à inovação, que farão parte da política industrial. Possivelmente, finalizou o ministro, as ações da área de inovação deverão ser anunciadas antes de 20 de outubro.ANTIDUMPINGMiguel Jorge, que ontem participou da abertura do programa de Conferências da Câmara de Comércio Brasil-Líbano, afirmou que o grau de abertura da economia brasileira é reduzido. Por isso mesmo, segundo ele, haveria um grande potencial de crescimento da participação brasileira na economia mundial.Ele negou que a decisão de aplicar medidas antidumping sobre alguns produtos importados da União Européia, Estados Unidos, China, Alemanha e Chile comprometa a já reduzida abertura brasileira ao exterior.''''A medida antidumping é feita por concorrência desleal. Os Estados Unidos, que são o país mais aberto do mundo, também aplicam essas medidas e também salvaguardas, que nós não aplicamos.'''' Ele disse que há mais pedidos de empresas para investigações antidumping de vários setores, mas não revelou quais.''''As empresas que se sentem prejudicadas recorrem ao governo para fazer a investigação'''', disse o ministro, lembrando que diminuiu para 170 dias o período entre o pedido de investigação e a aplicação do direito antidumping.DÓLARPara Miguel Jorge, as exportações devem continuar firmes em 2008 e não se prevê nenhuma dificuldade adicional aos exportadores por causa do câmbio. O ministro ficou bastante irritado ao ser questionado sobre as projeções de continuação da valorização do real.''''Eu duvido disso (valorização do real). Há um ano estou ouvindo isso e não vi até agora o real cair abaixo de R$ 1,80. Só vou falar sobre isso depois de ver o que realmente acontece na vida real. Os analistas têm errado muito'''', afirmou o ministro, referindo-se a eventuais previsões sobre a continuidade da desvalorização da moeda.O ministro citou o aumento continuado das vendas externas para justificar a afirmação de que o câmbio não tem prejudicado as vendas brasileiras para o exterior. E disse, ainda, que o câmbio tem permitido a importação a preços menores de bens de capital para o setor produtivo.

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