Política monetária entrou na zona de turbulência

Política monetária entrou na zona de turbulência

A nova rodada da pesquisa Focus, com altas das projeções da mediana do IPCA para 2010 e 12 meses à frente (mas não para 2011), confirma que os tempos à frente serão difíceis para o Banco Central.

Cenário: Fernando Dantas*, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2010 | 00h00

Não resta muita dúvida de que a política monetária brasileira entrou em zona de turbulência, com a iminência de um aperto monetário e a provável saída de Henrique Meirelles da presidência do BC.

Causou estranheza em parte do mercado a combinação entre a decisão - por cinco votos a três - do Copom de manter a Selic em 8,75% em março e o tom duro da ata dessa mesma reunião, que, para muitos, sugeriria que o correto seria não esperar até abril para aumentar a taxa básica. "Tem uma chance bastante concreta de o BC já estar atrasado", diz Alexandre Schwartsman, do Santander.

O BC pode já estar olhando para 2011 e ter concluído que 2010 é um caso perdido em relação a se atingir o centro da meta de 4,5%, estourada em razão de fatores fortuitos, como altas anormais dos alimentos e de passagens de ônibus.

O economista Marcio Garcia, da PUC-Rio, acha que isso é em parte verdadeiro, mas acrescenta que "não é porque estabeleci uma meta de redução para o próximo mês que eu devo adiar o início da dieta".

De qualquer forma, o veredicto será dado pela evolução da inflação neste ano e no próximo. O BC já mostrou que às vezes enxerga melhor do que algumas correntes que se formam no mercado. Resta esperar para ver o que decidirá.

*REPÓRTER ESPECIAL DE ECONOMIA

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