Werther Santana/Estadão
O economista Bráulio Borges. Werther Santana/Estadão

'Políticas de estímulo à demanda foram demonizadas', diz economista

Bráulio Borges avalia que excesso de rigor do Banco Central é um dos motivos para estagnação da economia

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2019 | 11h06

RIO - O economista sênior da LCA Consultores Bráulio Borges considera que o País ainda vive um quadro de estagnação, mesmo com a alta de 0,4% do PIB no segundo trimestre, e vê a fraqueza na demanda, provocada, principalmente, pelo excesso de rigor do Banco Central (BC) ao evitar cortar mais a taxa básica de juros (Selic, hoje em 6% ao ano), como maior motivo para esse quadro.

Segundo ele, o ritmo de crescimento do segundo trimestre, se anualizado, daria algo como 1,5% ao ano, ainda muito baixo para "consumir o excesso de ociosidade da economia". O prolongamento dessa situação, para o economista, pode afetar até mesmo o potencial de crescimento do País. A saída seria, além de baixar os juros mais rapidamente, ampliar os gastos públicos com investimentos, mas Borges vê pouca chance de isso acontecer.

O que explica a estagnação da economia brasileira, falta de demanda ou restrição de oferta?

Temos que voltar um pouco atrás. O Brasil viveu uma espécie de bolha entre 2004 e 2012 ou 2013. Essa bolha resultava de uma bolha lá fora, que estourou em 2008 e 2009, mas o Brasil esticou um pouco a corda, alimentando a bolha internamente com a política fiscal, que ficou expansionista. Isso acumulou uma série de desequilíbrios. Chegou em 2014 e não deu mais para sustentar isso. Aí veio todo o freio de arrumação a partir de 2015, para corrigir esses desequilíbrios. A opção naquele momento foi por fazer uma coisa mais parecida com um choque, tentar corrigir mais rápido a questão fiscal, na política monetária, fazer a inflação voltar para a meta o mais rápido o possível. Esse choque gerou resultado rapidamente. A economia caiu muito em 2015 e 2016, mas já em 2016 a inflação já estava alinhada à meta, o fiscal melhorou um pouco em 2015, mas piorou um pouco em 2016, e o teto de gastos pelo menos deu horizonte um pouco mais longo de correção da solvência fiscal. Chegou então 2017, e a economia já estava mais bem ajustada, principalmente em termos de inflação e nas contas externas.

Mas por que a recuperação está tão lenta desde então?

Ninguém tinha ilusão de que seria rápido. As recuperações que vêm depois de estouros de bolhas trazem o fenômeno que a gente chama de “recessões de balanços”. Empresas que sobreinvestiram no “boom” demoram um tempo para digerir, muita gente quebra e o setor privado vai se desalavancando (reduzindo dívidas). Tudo isso são explicações levantadas hoje, não lá em 2016 ou 2017, para a retomada atipicamente lenta e frustrante. Não é que todo mundo imaginava exatamente essa trajetória do PIB (Produto Interno Bruto) há dois ou três anos.

O que explica essa frustração?

Aconteceram algumas coisas inesperadas, como colapso da Argentina, alguns choques políticos domésticos, Brumadinho (rompimento de barragem da mineradora Vale, em janeiro, na região metropolitana de Belo Horizonte, que levou à paralisação de várias minas em Minas Gerais), mas tudo isso pressupõe que a política econômica aqui dentro, principalmente a monetária, dado que a fiscal está mesmo sem muita margem, não teria margem de manobra. E o fato de observarmos, por três anos consecutivos, incluindo 2019, uma inflação muito abaixo de meta é um indício claro de que a resposta de política monetária, que é a que tinha margem de manobra, foi inadequada. Isso é um ingrediente importante, inclusive para responder aos choques do meio do caminho. Veio o choque argentino, a partir de meados do ano passado, a resposta da política monetária aqui dentro deveria ser uma flexibilização adicional da política monetária (mais cortes na taxa básica de juros). A política monetária no Brasil foi muito inadequada nos últimos três anos, em particular no último um ano ou um ano e meio.

O BC exagerou na dose?

O BC tem um mandato muito claro, que é entregar a inflação na meta, goste-se da meta ou não. Muita gente argumenta que é uma inflação baixa, de Primeiro Mundo, mas não é a meta de inflação (4,25% para 2019). Se querem uma inflação de 3,0%, então primeiro mudem a meta, seguindo toda a institucionalidade do regime de metas. Uma inflação atipicamente baixa no contexto atual do Brasil é o outro lado da moeda de uma economia deprimida. As recessões trazem o risco negativo de “histerese”. Quando se entra numa recessão profunda como foi a brasileira e fica lá no fundo do poço por muito tempo, isso começa a afetar as nossas perspectivas de médio e longo prazo. “Histerese” é o ciclo afetando a tendência.

Se os desequilíbrios começaram a ser corrigidos após 2015, o maior problema da estagnação é uma depressão de demanda?

No curto prazo, o problema é falta de demanda. A restrição de oferta pode surgir, sim, daqui a três ou quatro anos, se não for feita nenhuma reforma e a economia recuperar, consumindo o excesso de ociosidade. Como a questão da oferta demora para maturar, não se pode esperar três ou quatro anos para fazer as reformas. É preciso ir fazendo as reformas agora, paralelamente a uma política de demanda de curto prazo, pavimentando o caminho para um crescimento mais alto e sustentável.

Alguns economistas sugerem fazer as reformas e esperar, não?

O problema de fazer só as reformas é ignorar o fato de que esse curto prazo muito ruim pode atuar como uma contrarreforma. Pode reduzir o efeito que se esperaria, por exemplo, da abertura comercial, que tende a elevar a produtividade da economia.

Qual a saída então?

A política monetária tem um espaço enorme. Temo se o Banco Central está disposto a fazer isso (cortar juros) na necessidade que seria necessária. Em paralelo a isso, o estímulo com a liberação adicional do FGTS é correto, mas, infelizmente, demos azar. Nas nossas contas, a crise da Argentina vai ter uma piora adicional por conta das eleições (em outubro), o que praticamente neutraliza o impacto positivo que a liberação do FGTS teria na economia. O FGTS só vai evitar que a economia brasileira piore ainda mais. Precisa de outras coisas. Aí surge a discussão da política fiscal. Cada vez mais gente está defendendo algum tipo de estímulo fiscal, desde que seja inteligente, focado em investimento. Para viabilizar um investimento adicional, necessariamente isso passa pela discussão sobre a flexibilização do teto de gastos. Isso traz muita polêmica. Muita gente acha que estímulo fiscal pode ser contraproducente. Acho que o pessoal demoniza as políticas de estímulo à demanda que foram colocadas em prática em 2012 e 2013, mas ignoram que lá a economia estava além do pleno emprego de sua capacidade. Era uma economia que não precisava desses estímulos expansionistas e que os recebeu mesmo assim. Hoje, a situação da economia brasileira é muito aquém do pleno emprego das capacidades, então, não tem nada mais ortodoxo do que políticas de estímulo à demanda.

Há clima político para isso?

Acho pouquíssimo provável. A tendência é crescimento lento e inflação abaixo da meta.

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PIB cresce 0,4% no segundo trimestre e fica acima do esperado

Em relação ao mesmo período de 2018, atividade econômica do País teve avanço de 1%, informou nesta quinta-feira o IBGE; resultado foi puxado pela alta de 0,7% na indústria, de 0,3% no setor de serviços e de 0,3% no consumo das famílias

Vinicius Neder, Daniela Amorim e Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2019 | 09h07

RIO - O PIB Brasil 2019 registrou, no segundo trimestre, crescimento de 0,4%, resultado melhor que o esperado pelos analistas - alta de 0,2% em relação ao primeiro trimestre, segundo pesquisa do Projeções Broacast.

Os dados foram divulgados na manhã desta quinta-feira, 29, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com o segundo trimestre de 2018, o crescimento foi de 1%. O instituto também revisou o resultado da economia no primeiro trimestre, de -0,2% para -0,1%. O PIB é o valor de todos os produtos e serviços produzido no País.

O desempenho do segundo trimestre foi puxado pela alta de 0,7% na indústria, de 0,3% no setor de serviços e de 0,3% no consumo das famílias. A taxa de investimentos também apresentou um bom resultado, com avanço de 3,2%. O que segurou o PIB, por outro lado, foi o consumo do governo, que caiu 1%, e também o setor agropecuário, que recuou 0,4%.

Chama a atenção nos resultados do segundo trimestre o da construção, que registrou crescimento de 2% em relação ao segundo trimestre do ano passado. É a primeira alta depois de 20 quedas consecutivas nessa base de comparação - o último resultado positivo havia sido no primeiro trimestre de 2014, com avanço de 8,2% em relação a igual período de 2013.

Mesmo com esse resultado acima do esperado, a economia brasileira ainda pode ser considerada dentro de um quadro de estagnação, e está muito longe de recuperar o que perdeu durante os anos da recessão. De acordo com o IBGE, a economia ainda está 4,8% abaixo do pico alcançado no primeiro trimestre de 2014.

"É claro que a economia vem se recuperando, mas ainda não recuperou tudo. Está recuperando em relação ao ponto mais baixo que a gente teve, mas ainda não chegou aos mesmos patamares de 2014, que seria o pré-crise", disse a coordenadora de contas nacionais do instituto, Rebeca Palis.

O movimento é de fato gradual. O PIB tinha voltado ao patamar de 2010, depois atingiu o patamar de 2011 e, segundo Rebeca, está agora no patamar de 2012.

A avaliação dos economista é que essa  lentidão na recuperação da economia após a saída da recessão, no primeiro trimestre de 2017, é alimentada pela persistência do desemprego elevado, pela perda de produtividade e pelas incertezas políticas que travam o investimento.

Muitos analistas, de diferentes linhas teóricas, veem na falta de demanda, especialmente por causa do nível ainda baixo dos investimentos, a principal explicação para a estagnação no curto prazo. A continuidade nos cortes da taxa básica de juros (Selic, hoje em 6,0% ao ano) é defendida por muitos, mas há divergência sobre o uso ou não de outras medidas de estímulo.

Economistas como Marcos Lisboa, presidente do Insper, e o ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman não veem espaço para estímulos fiscais. O economista Eduardo Gianetti defendeu, em entrevista ao Estado, o uso dos recursos levantados pela venda da carteira de participações societárias do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para recuperar investimentos públicos. Para o economista sênior da LCA Consultores Bráulio Borges, sem estímulos fiscais com foco nos investimentos, a economia seguirá crescendo pouco.

A lentidão da recuperação se deve também ao fato de que estudos indicam que reformas estruturais levam até dez anos para consolidar seus efeitos na economia, disse ao Estado, no último domingo, o economista-chefe do Banco Votorantim, Roberto Padovani. Além disso, a retomada atual não pode ser comparada com outras, dado o grau de devastação que a recessão deixou, atingindo em cheio setores como a construção pesada e petróleo e gás.

Na visão de Lisboa, que foi secretário de Política Econômica do antigo Ministério da Fazenda, de 2003 a 2005, a lentidão na aprovação de reformas estruturais é o principal motivo para a paralisia no crescimento econômico. Nesse ritmo, o Brasil “não vai voltar a crescer 3% de forma sustentável nos próximos anos”, disse Lisboa, em entrevista ao Estado na terça-feira, dia 27.

Para piorar, uma luz amarela foi acesa na economia internacional, após os mercados globais reagirem negativamente a riscos de recessão mundial no último dia 14, na esteira da disputa comercial entre China e Estados Unidos. Isso se soma à crise econômica na Argentina, que vem sendo um peso na economia brasileira desde o segundo semestre de 2018 e tende a se agravar em meio às eleições presidenciais de outubro.

Na visão da economista Silvia Matos, coordenadora técnica do Boletim Macro Ibre, da FGV, o risco de recessão global é preocupante para o Brasil porque pode atingir em cheio a indústria de transformação e os investimentos. A indústria de transformação já era afetada pela redução de vendas para a Argentina, seu principal mercado, mas, com um “choque agregado”, pode haver aumento do prêmio de risco do Brasil e alta do dólar, o que é “péssimo para o Brasil no sentido geral”, disse Silvia ao Estado no último dia 15.

Outro novo risco no radar é são os efeitos da crise ambiental no desempenho do agronegócio. Uma das válvulas de escape nesse período de estagnação econômica, o agronegócio agora se depara com ameaças às exportações. O economista José Roberto Mendonça de Barros disse ao Estado em entrevista publicada segunda-feira, dia 26, que a ameaça é “gigante”, porque o risco de boicote internacional ao agronegócio brasileiro “não é invenção”. / COLABOROU THAÍS BARCELLOS

 

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Para analistas, resultado do PIB traz mais otimismo para a economia

Economista diz que desempenho no segundo trimestre deve motivar alterações, para cima, nas expectativas deste ano

Thaís Barcellos e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2019 | 11h13

O crescimento de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2019, número acima do esperado pelo mercado (0,2%), faz economistas começarem a olhar com um pouco mais de otimismo para a economia daqui para a frente. Para o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, o resultado é um dado encorajador e que traz boas notícias, depois de um longo período de decepções com a atividade, embora a retomada ainda seja gradual.

Segundo o economista, foi um destaque dentro desse resultado a recuperação da indústria (0,7%) e dos investimentos (3,2%), depois de dois trimestres negativos. Esse resultado melhor do que o esperado, conforme Rostagno, deve estancar as revisões para baixo do PIB do ano e pode até motivar elevações nas expectativas. Atualmente, as previsões dos analistas ouvidos pelo Banco Central no boletim Focus são de alta de 0,81% para este ano. A projeção do Mizuho é de alta de 0,9% para o PIB do ano, mas o economista admite que o dado do segundo trimestre impõe viés de alta, para algo em torno de 1,0%.

O próprio secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, disse que o resultado foi melhor que o previsto. "O resultado foi o dobro do que a maioria dos analistas esperava", avaliou. "Não dá para soltar fogos com o resultado do PIB de um semestre, mas o resultado é um certo alívio."

Alexandre Ázara, economista-chefe e sócio do Mauá Capital, diz que o resultado do segundo trimestre quebra, de certa forma, a dinâmica pessimista embutida nas expectativas em relação ao crescimento da economia também em 2020. Para ele, a despeito da crise econômica internacional, o PIB no próximo ano deverá crescer algo entre 2,0% e 2,5%. Isso porque, entre outras coisas, o carregamento estatístico de uma expansão de 1,1% este ano - esta é a projeção da Mauá Capital - será positivo.

Segundo ele, o pessimismo em relação ao PIB foi barrado pelo crescimento do segundo trimestre. Para o terceiro trimestre, a Mauá projeta um crescimento de 0,3% a 0,4% apesar de ainda haver muita incerteza pelo fato de os dados estarem começando a sair agora. 

Para a consultoria Capital Economics, os dados do segundo trimestre surpreenderam e mostram que a piora da atividade observada nos primeiros três meses do ano (quando houve queda de 0,1%) foi mais um fator passageiro do que o início de uma piora mais acentuada da economia. O economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, William Jackson, porém, pondera que o crescimento da economia brasileira ainda é fraco, principalmente se comparado a outros emergentes, mas deve ter algum fortalecimento nos próximos períodos.

Indicadores de confiança apontam para uma melhora neste terceiro trimestre, observa Jackson. O ritmo, porém, vai seguir moderado e apoiar cortes de juros pelo BC. A Capital Economics projeta expansão de 0,8% do PIB neste ano e de 2% em 2020.

A avaliação da consultoria inglesa Pantheon Macroeconomics é de que os bons números do segundo trimestre mostram que a economia brasileira está resistente, apesar dos muitos choques que teve no período. "Olhando para a frente, indicadores antecedentes, incluindo os de consumidores e empresários, sugerem que a economia deve ir relativamente bem no fim deste terceiro trimestre e no quarto período de 2019", avalia o economista sênior para América Latina da Pantheon, Andres Abadia.

A demanda doméstica tem se mostrado resistente, apoiada pela baixa inflação e juros em mínimas históricas. A liberação de recursos do FGTS deve ser um fator adicional positivo para a atividade do período, observa ele. "A retomada, contudo, será limitada pele ambiente global crescentemente desafiador."

Abadia destaca que um dos pontos positivos do PIB é o consumo das famílias, em alta de 0,3%. Outro destaque foi a expansão de 3,2% da formação bruta de capital fixo. 

"São bons números", diz Abadia sobre os dados do segundo trimestre. Para o economista, os dados são uma evidência de que a atividade conseguiu superar eventos negativos na primeira metade do ano, que inclui a tragédia com a barragem da Vale em Brumadinho (MG) e, sobretudo no segundo trimestre, um cenário externo mais adverso e a piora da situação na Argentina.

Rostagno, da Mizuho, avalia que o cenário externo deve continuar sem ajudar o PIB brasileiro, como ocorreu no segundo trimestre, mas a demanda doméstica deve mais que compensar esse efeito negativo. No segundo trimestre, as exportações caíram 1,6%, enquanto as importações cresceram 1,0%, ambos na margem.

Em relação à política monetária, o economista do Mizuho acredita que o PIB mais forte e alta recente do dólar não são suficientes para mudar a aposta de queda dos juros de 0,50 ponto porcentual na reunião de setembro, já que o hiato do produto ainda está muito aberto e o cenário de inflação, muito confortável. 

Contudo, ele diz que esses eventos podem limitar a expectativa de Selic abaixo de 5,0%. A projeção do economista é de redução de 0,50 ponto em setembro e mais 0,25 ponto em outubro, levando a Selic para 5,25%. Segundo ele, o dado do PIB do terceiro trimestre deve definir se o juro cai para 5,0%, mas como ele está otimista com o desempenho no período de julho a setembro, mantém 5,25%.

Rostagno ainda diz que os ativos brasileiros estão de certa forma blindados da deterioração na Argentina, devido ao baixo déficit em conta corrente, o nível robusto de reservas e à baixa exposição de ativos atrelados ao dólar. "Algum impacto de realocação de portfólios dos investidores estrangeiros pode acontecer, mas vejo impacto moderado, não vejo cenário de contágio", avalia.

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Estratégia de crescimento com responsabilidade fiscal é acertada, diz ministério sobre PIB

Mesmo com queda de 1% no consumo do governo, avaliação da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia sobre o resultado do PIB no segundo trimestre foi positiva

Adriana Fernandes e Sandra Manfrini, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2019 | 12h05

BRASÍLIA - Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia avaliou que a "estratégia adotada pelo governo, de crescimento com responsabilidade fiscal, vai se mostrando acertada". A avaliação foi feita em nota divulgada para comentar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no segundo trimestre de 2019, que teve alta de 0,40% na comparação com o trimestre anterior, como informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quinta-feira, 29.

"Apesar do forte ajuste nas contas públicas, representada por uma queda de 1% no consumo do governo, o crescimento no trimestre foi positivo e acima das projeções de mercado", avalia a secretaria, que é órgão responsável pela análise das contas nacionais e das projeções de crescimento do PIB que embasam o orçamento e as políticas de governo.

Segundo a SPE, o cenário ainda é desafiador. "O ajuste fiscal em curso, a baixa produtividade da economia brasileira e a incerteza da conjuntura internacional sugerem ainda um longo caminho a percorrer", diz a nota. Apesar desses desafios, a avaliação é que a conjuntura brasileira atual é mais favorável do que era há alguns meses.

A nota divulgada pela secretaria destaca que o resultado de queda "expressiva" de 1% do consumo do governo, no segundo trimestre, "reflete a adoção do regime fiscal de contenção de gastos necessária para conter o crescimento da dívida pública resultante da expansão de gastos de anos anteriores".

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