Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Políticas públicas para os mais vulneráveis é tema de seminário da FGV

Em parceria com o 'Estadão', evento vai discutir a desigualdade de renda no País, que ficou ainda mais evidente com a pandemia; debate acontece hoje, às 10h

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2021 | 19h42
Atualizado 20 de maio de 2021 | 00h13

RIO - A crise causada pela covid-19 chamou a atenção para a vulnerabilidade das famílias mais pobres do País. Para enfrentar o problema, o governo lançou o auxílio emergencial, mas a situação também serviu para aquecer o debate sobre a necessidade de fortalecer as políticas públicas para essas famílias mais vulneráveis. O tema será o centro das discussões do seminário on-line “As políticas públicas frente à pandemia”, marcado para as 10 horas desta quinta-feira, 20, dentro do Ciclo de Debates promovido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) com o Estadão.

A dinâmica da pobreza é um dos fenômenos que mais tem chamado a atenção durante a crise. A pandemia deixou claro que, para parte expressiva da população, a renda pode desaparecer diante de uma grande crise. Com o auxílio, os indicadores de pobreza recuaram no País, mas de forma temporária e artificial, como já mostraram cálculos de Daniel Duque, pesquisador do Ibre/FGV.

Conforme as contas, no fim de 2019, 21% da população brasileira (em torno de 44,5 milhões de pessoas) viviam com renda igual ou abaixo de US$ 5,50 por dia, a linha de pobreza do Banco Mundial. O auxílio fez esse montante tombar para 18,3% da população (38,8 milhões de pessoas) em agosto, último mês em que o auxílio emergencial foi de R$ 600 ao mês.

Sem a transferência de renda, projeções de Duque apontam que a proporção de brasileiros abaixo da linha de pobreza saltou para 29,5% (62,4 milhões), em janeiro deste ano. Com a crise e sem o auxílio, de 2019 para o início deste ano, 17,9 milhões de brasileiros teriam passado para baixo da linha de pobreza. É como se, de uma vez, quase toda a população do Chile entrasse se tornasse pobre no Brasil.

Após meses discutindo a reedição do programa emergencial de transferência, o auxílio finalmente voltou a ser pago em abril, com valores menores do que no ano passado. A adoção dessas políticas em meio ao cenário de desequilíbrio das contas públicas será um dos pontos do seminário desta quinta-feira. Participam os pesquisadores Fernando Veloso e Manoel Pires, ambos do Ibre/FGV, e Luís Henrique Paiva, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e professor do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP). A mediação do debate ficará a cargo de Adriana Fernandes, repórter especial do Estadão em Brasília. Mais informações podem ser consultadas no site do evento.

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