Pólo de Eike no Rio terá US$ 15 bi da Techint

Empresário anunciou investimento em cerimônia que acabou se transformando em ato de desagravo contra ação da PF no Grupo EBX

Kelly Lima, O Estadao de S.Paulo

31 de julho de 2008 | 00h00

O empresário Eike Batista confirmou ontem a vinda da siderúrgica ítalo-argentina Techint para o complexo do Porto do Açu, que está montando em São João da Barra, no norte fluminense. Segundo ele, o investimento será cinco vezes maior que o que vinha sendo anunciado - ficará em torno de US$ 15 bilhões. O anúncio oficial será feito ainda esta semana, de acordo com o empresário.A unidade será destinada à construção de tubos de aço para a indústria do petróleo e será instalada no terminal portuário que o grupo EBX está construindo no Rio. Segundo o empresário, a capacidade inicial de produção será de 10 milhões de toneladas anuais a partir de 2012. O investimento já havia sido anunciado pela prefeitura de São João da Barra e pelo governo do Estado no primeiro semestre, com investimentos em torno de US$ 3 bilhões. "Falou-se nesse valor para uma primeira fase, mas a siderúrgica é um megaprojeto", disse o secretário de Desenvolvimento do Estado do Rio, Júlio Bueno. Eike anunciou ainda que uma segunda siderúrgica está prestes a anunciar investimentos de US$ 6 bilhões para instalar uma fábrica com capacidade de seis milhões de toneladas anuais, também após 2012. O empresário não quis revelar o nome do investidor, mas nos bastidores do setor havia comentários de que seria a indiana Tata Steel. "Temos pelo menos 30 memorandos assinados com empresários que pretendem se instalar no local", disse Eike em cerimônia realizada ontem pelo governo do Rio para a entrega de licença ambiental prévia para a instalação de uma usina termelétrica na área do Porto do Açu. A usina terá capacidade inicial de 1,1 mil MW e deve chegar a 9,6 mil MW em 2017. "Esta unidade terá 65% da capacidade do Complexo do Rio Madeira", ressaltou o empresário. DESAGRAVOA cerimônia de entrega da licença, no entanto, transformou-se num ato de desagravo a Eike Batista, contando com a presença de outros executivos e do governador do Estado, Sergio Cabral. "Estamos aqui para dizer: Eike vá em frente. É um empresário limpo, um brasileiro, um carioca exemplar", disse o governador durante a cerimônia, arrancando aplausos de uma platéia formada basicamente por executivos das empresas do Grupo EBX, secretários de governo e dirigentes de entidades empresariais. Sentados na primeira fila também estavam os dois filhos de Eike, sua namorada e o pai, Eliezer Batista. O evento foi marcado por várias críticas às acusações da Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de fraude na licitação para concessão da estrada de ferro no Amapá. Apesar de o caso envolver diretamente a MMX, braço de mineração do grupo - cujo controle do Sistema Amapá foi vendido à britânica Anglo American -, o episódio acabou respingando em todas as empresas do grupo. "É preciso repudiar a operação forjada e descabida que tentou manchar a reputação deste empresário num ato de irresponsabilidade da imprensa e do Ministério Público", disse o diretor do conselho do Grupo EBX, Rafael de Almeida Magalhães, que por várias vezes em seu discurso arrancou lágrimas de Eike e obteve mais palmas da platéia. O governador cobrou "mais respeito às instituições", dizendo que era melhor que elas errassem do que se repetir o passado: "Já tive de visitar meu pai na cadeia, porque as instituições não foram respeitadas", disse, citando o pai, preso na época da ditadura.

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