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Polo Industrial de Manaus quer maior protagonismo nas discussões sobre desenvolvimento sustentável

Empresários da região têm reunião marcada com o vice-presidente Hamilton Mourão e com parlamentares na próxima segunda-feira para discutir medidas sobre o tema

Mariana Hallal, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2020 | 07h00

Empresários do Polo Industrial de Manaus têm uma reunião marcada com o vice-presidente da República Hamilton Mourão e com parlamentares para discutir um plano de desenvolvimento sustentável da região amazônica. Eles pedem maior protagonismo nas discussões que envolvem a floresta. O encontro será feito via videoconferência na tarde da próxima segunda-feira, 24.

O documento preparado para Mourão, que também preside o Conselho da Amazônia, pede principalmente investimentos na infraestrutura da região. O plano cita a necessidade de melhorias em estradas, portos e aeroportos do interior, além de investimentos nas redes de internet e eletricidade. O texto é assinado conjuntamente pela Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Associação dos Fabricantes de Motocicletas e Bicicletas (Abraciclo) e Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM).

Jorge Nascimento, presidente da Eletros, explica que o objetivo das melhorias em infraestrutura é desenvolver o interior da Amazônia, descentralizando a produção que hoje está concentrada em Manaus. Essa seria uma forma de fortalecer a região sem desmatar a floresta.

“O Polo Industrial de Manaus representa 85% da economia do Estado. Essas indústrias fazem com que a população não precise destruir a floresta para gerar renda. Queremos ampliar esse modelo, mas falta infraestrutura”, diz.

Os empresários querem que o governo use as taxas e impostos pagos pelas empresas do polo industrial para investir na região. “O Amazonas é um Estado superavitário. Queremos aplicar esses recursos na melhoria da infraestrutura”, argumenta Nascimento.

Outra demanda que será apresentada no encontro é a diversificação da produção e da economia local, com mais atenção para áreas como turismo, piscicultura, e extrativismo. Wilson Périco, presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), diz que os empresários estão dispostos a buscar as contrapartidas ambientais necessárias para investir em atividades que possam vir a desmatar a floresta.

Segundo Périco, os empresários também pretendem discutir a posição da Zona Franca de Manaus (ZFM) na reforma tributária“Precisamos de segurança jurídica. Enquanto não há uma clareza em relação à reforma, dificilmente o País conseguirá atrair investimentos.”

Atualmente, há 450 indústrias instaladas na ZFM que geram 110 mil empregos diretos e 390 mil indiretos. Em 2019, a região faturou R$ 105 bilhões. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que, sem a Zona Franca de Manaus, a renda per capita da cidade seria, em média, duas vezes menor. 

Novas práticas

Na reunião, os representantes do Polo Industrial de Manaus também pretendem pedir mais investimentos em bioeconomia. Eles reivindicam uma integração da região amazônica com o objetivo de aproveitar as suas potencialidades.

Cláudio Antônio Barrella, presidente e fundador da Tutiplast, já integra alguns princípios da bioeconomia ao processo de produção da fábrica. “Estamos desenvolvendo algumas pesquisas para usar produtos locais na nossa produção, como o buriti.” O óleo da planta é usado para dar plasticidade às peças produzidas na indústria.

“O futuro é a bioeconomia. Com ela, a gente consegue reverter uma série de situações como a poluição das cidades e o desmatamento. Uma empresa que não desenvolver a bioeconomia está fadada a desaparecer”, afirma.

Para avançar na bioeconomia, Barrella diz que falta apoio do governo. Ele cobra colaboração com centros federais de pesquisa e tecnologia, investimentos em infraestrutura e linha de crédito para as indústrias locais. “Falta uma sinergia entre empresa, universidade e poder público”, resume.

Os empresários estão otimistas com o encontro, principalmente porque Mourão tem uma ligação com o Amazonas. Os pais do vice-presidente nasceram no Estado. O atual protagonismo da Amazônia também eleva a confiança de que as reivindicações serão atendidas.

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