Imagem Renato Cruz
Colunista
Renato Cruz
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Polos de inovação

Existe inovação no Brasil? Alguns fazem essa pergunta. Outros acreditam que tem, mas está restrita a gigantes nacionais como Petrobrás e Embraer ou a multinacionais com centros de pesquisa no País, como a IBM, a GE e a Ericsson. Na verdade, existem polos de inovação em várias cidades, com pequenas empresas de alta tecnologia. É claro que ainda há muito a ser feito. Um dos maiores desafios é dar condições para que essas empresas cresçam e possam competir no mercado internacional.

RENATO CRUZ, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2013 | 02h05

Na semana passada, o Fórum Estadão Investimentos em Inovação para a Competitividade discutiu o ambiente de inovação no Brasil e mostrou que há obstáculos importantes a serem vencidos. "A preocupação principal das empresas é a sobrevivência, ainda o curto prazo", disse Pedro Wongtschowski, membro do Conselho Administrativo do Grupo Ultra, para quem o ambiente econômico atual é desfavorável à inovação.

Um dos indicadores de que uma empresa é inovadora é sua capacidade de exportar, de competir pelo mercado externo. Pedro Luiz Passos, membro do Conselho da Natura, apresentou a mesma questão por outro ângulo: a falta de abertura da economia brasileira, a falta de exposição à competição externa, acaba se tornando um obstáculo à inovação. "Muitas empresas se apoiaram no mercado interno, grande e relativamente fechado, e, dessa forma, não tiveram necessidade de inovar."

Houve avanços nos últimos anos no ambiente de inovação brasileiro. Este ano, o governo anunciou um plano de R$ 32,9 bilhões, mas as empresas ainda consideram difícil o acesso a esse dinheiro, principalmente as pequenas e médias. Elas não têm as garantias necessárias para obter os empréstimos e a alternativa, uma carta de fiança bancária, é cara. Pode custar 3% do projeto.

Segundo dados da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), existem cerca de 400 incubadoras de empresas no País, com mais de 6,2 mil incubadas, graduadas (que já saíram da fase de incubação) ou associadas. Esse grupo de empresas gera cerca de 46,2 mil empregos.

O Brasil também tem 30 parques tecnológicos em operação. Várias cidades são polos de inovação. Alguns desses polos surgiram espontaneamente, outros foram resultado de política pública. O polo de Campinas (SP) se desenvolveu ao redor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do CPqD, centro de pesquisas que pertencia à estatal Telebrás. Segundo o Núcleo Softex Campinas, existem cerca de 400 empresas e entidades do setor de tecnologia de informação na região, com um faturamento de R$ 1,5 bilhão no ano passado. O polo inclui companhias como a CI&T e a Movile e centros de pesquisa e desenvolvimento como o Instituto Eldorado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.