carteira

As ações mais recomendadas para dezembro, segundo 10 corretoras

Imagem Luiz Carlos Trabuco Cappi
Colunista
Luiz Carlos Trabuco Cappi
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Ponto de partida

É preciso corrigir distorções nas cadeias de produção, reduzir a desigualdade, promover a inclusão e enfrentar os graves problemas ambientais

Luiz Carlos Trabuco Cappi, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2020 | 04h00

O mundo enfrenta dois desafios intensos. O primeiro, mais sensível, é o controle da pandemia. E o segundo, mais incerto, é a retomada do crescimento econômico.

Confiemos na ciência. Os principais centros de pesquisas do mundo estão mobilizados para o teste e a produção de vacinas que nos protejam da doença. Já a volta ao crescimento dependerá de uma variável decisiva em tempos sombrios, a confiança. 

Antes da pandemia, os principais líderes políticos e empresariais globais debatiam a necessidade de corrigir as distorções das cadeias de produção e comércio, buscar a redução da desigualdade social, promover a inclusão e enfrentar os graves problemas ambientais. Fóruns como o de Davos, polo do pensamento moderno, encaram com bastante ênfase o prenúncio dessa nova era. 

O debate voltará com força, como consequência da própria pandemia. Agravou-se a má distribuição de riqueza, seja em um país, seja entre países, o que se tornou fonte de desequilíbrio geopolítico e de crises sociais, além de interromper de forma abrupta os ciclos de crescimento, cuja agenda passa a ser a da sustentabilidade e da geração de emprego. 

O Brasil tem peso nessa discussão, por sermos um país em desenvolvimento, de dimensões continentais, com uma estrutura produtiva de envergadura e recursos naturais de importância global.

A sigla ESG, que foi tema de outro artigo, hoje mobiliza governos, investidores, gestores de recursos e empresas inovadoras. Projeta a criação de um mundo melhor, sem soberba e artificialismo. 

“Os princípios ESG e o capitalismo de partes interessadas não são uma moda”, afirma o economista alemão Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial de Davos. “Não são apenas uma manifestação de líderes empresariais para mostrar sua responsabilidade social corporativa, mas sim parte integrante da gestão empresarial”. 

Adotando essas práticas, as empresas espalham uma nova cultura. Os investimentos em fundos associados a esses princípios já formam patrimônio de mais de US$ 1 trilhão.

Está se construindo uma agenda de colaboração. Há iniciativas em todo o mundo que mobilizam setores econômicos, governos e personalidades influentes nos negócios, na política e na ciência. No Brasil, a pandemia gerou iniciativas unindo grandes empresas e bancos na pauta ambiental, além de fundos de solidariedade para o combate à Covid-19. Nesse cenário, o Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS), fórum que reúne pecuaristas, instituições financeiras, frigoríficos e entidades da sociedade civil, esboça um novo pacto ambiental cuja ideia central é construir um modelo de rastreabilidade e monitoramento.

A grande questão é sistematizar os trabalhos e preparar politicamente essa pauta. Os acordos do clima estabelecem compromissos para redução das emissões de gases na atmosfera. Na vida prática, os governos que assinaram os acordos podem não ser os mesmos que vão aplicar as medidas dele. 

É preciso segurança institucional, que começa a partir da convergência de compromissos entre empresas e sociedade, com participação da classe política, no esforço comum de provocar e buscar a adesão dos governos no enfrentamento dos problemas.

No nosso caso, a agenda ESG deveria se concentrar em quatro pontos: desigualdade social, mudanças climáticas, ética e investimento voltado ao crescimento. 

O Brasil é o maior produtor e vendedor de alimentos do mundo, grande exportador de minério e player importante no mercado de óleo e gás, entre outros atributos que nos conferem relevância internacional; ao mesmo tempo, apresenta indicadores ruins na educação, na logística de transporte da safra de grãos, na infraestrutura de saneamento e no controle do desmatamento. 

Que este ano dramático sirva de ponto de partida para uma virada civilizatória: olhar de outra maneira os objetivos da atividade econômica e do lucro, de modo a alinhar crescimento a resultados sociais e ambientais. Caberá à nossa geração a responsabilidade de redefinir esse jogo. 

* PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DO BRADESCO. ESCREVE A CADA DUAS SEMANAS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.