POPULAÇÃO AINDA CRÊ QUE USINA TRARÁ PROGRESSO

Moradores esperam que região se desenvolva como aconteceu com a construção de Itaipu

RIBEIRA / SP, ADRIANÓPOLIS / PR, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2014 | 02h05

Apesar dos 26 anos de tentativas, muitos moradores ainda acreditam que a construção da Hidrelétrica de Tijuco Alto possa trazer progresso para os municípios da região, carentes de infraestrutura, emprego e renda - a região deve receber R$ 3 milhões em royalties por ano "Tenho fé que a barragem vai sair para ajudar todo mundo", diz o catarinense Adir Dall Agnol, de 58 anos.

Dono de uma casa de produtos agrícolas, ele chegou à região pouco antes de a Companhia Brasileira de Alumínio obter a concessão da usina. Sem emprego, chegou a fazer ficha para trabalhar na construção da barragem, assim como seu irmão. "Só não pude esperar tanto tempo", brinca ele.

Antes de chegar a Adrianópolis, no Paraná, ele morou em Medianeira, no oeste do Estado, próximo ao lago da Hidrelétrica de Itaipu. "Vi o desenvolvimento rápido das regiões por causa da construção de Itaipu. Acredito que aqui seria igual." Agnol reclama dos problemas de Adrianópolis, como as enchentes que atrapalham a vida da população e a péssima qualidade da energia entregue aos moradores da cidade. "Aqui, pelo menos, três vezes ao dia sofremos com a queda da energia. Não ficamos muito tempo sem luz, mas a cada corte um equipamento queima. Já perdi geladeira, ar-condicionado e um fax", reclama o morador.

A cinco minutos de Adrianópolis, já em São Paulo, o morador de Ribeira, Altamiro Bonete dos Reis, também defende a construção da usina. Nascido em Curitiba, chegou na cidade aos 17 anos em busca de trabalho numa fábrica de calcário que havia na região. Hoje é funcionário da prefeitura. "Eu estou empregado, mas o povo daqui não tem onde trabalhar. A usina seria uma salvação."

Ele conta que a maioria da população sobrevive da agricultura de subsistência. O restante presta serviços para a prefeitura, fazendo artesanato ou trabalhando na indústria de cimento da Camargo Corrêa.

Prós e contras. Outro defensor de Tijuco Alto é o morador de Apiaí, o agricultor Thomas Tordson Linden, um sueco que chegou ao Brasil em 1977 e descobriu Apiaí em 1984. Ele sempre acompanhou de perto o vaivém da hidrelétrica. Quando a reportagem perguntou sobre a usina, ele logo perguntou: "Tem alguma novidade que ainda não sei?". Na avaliação dele, a usina beneficiaria não apenas a região, mas todo o País.

Mas ele confessa que, da mesma forma que tem muita gente favorável à construção, também há pessoas que temem os impactos negativos. A principal preocupação é daqueles que estão mais próximos de onde será construída a barragem. "Eles temem que ocorra algum acidente com a barragem e os municípios sejam alagados. Mas o efeito deve ser o contrário, já que a usina vai contribuir para o controle das cheias", diz Linden. / R.P.

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