População de 'uma Itália' sobe de vida no Brasil

Pesquisa mostra que 63,7 milhões de pessoas ascenderam socialmente desde 2005, com mais emprego e renda no País

O Estado de S.Paulo

23 de março de 2012 | 03h09

Entre 2005 e 2011, 63,7 milhões de brasileiros ascenderam socialmente das classes D/E para C e da C para A/B. É o equivalente à população da Itália, compara o vice-presidente da Cetelem BGN, Miltonleise Carreiro Filho. Segundo ele, esse forte mercado consumidor é que deu sustentação para que o País atingisse a sexta colocação entre as maiores economias do mundo.

"Se em 2005 um investidor estrangeiro tivesse vendo para o País, ele teria abocanhado uma Itália de potenciais clientes", observa o executivo. E o pilar desse forte movimento de mobilidade social é a classe C. Só no último ano, 2,7 milhões de brasileiros das classes D/E ascenderam à classe C. O aumento do emprego, da renda e do salário explica essa mobilidade social.

Aliás, o Brasil encabeça o ranking de 12 países onde a pesquisa da Cetelem BGN é feita como o mais otimista com a situação. Numa escala de um a dez, a nota média dada pelos brasileiros para a situação de seu país no ano passado foi 6,3, à frente de Alemanha e Rússia, com 6,2 e 4,2, respectivamente.

Apesar do otimismo, a pesquisa detectou que os brasileiros estão mais cautelosos para gastar neste ano. De 12 itens analisados, em 9 há recuo na pretensão de compras em 2012 na comparação com o ano anterior e estabilidade em apenas 3 itens: casa própria, motocicleta e equipamentos esportivos.

Até mesmo ícones do consumo, como carro, o brasileiro pretende reduzir as compras ao longo deste ano. De acordo com a pesquisa, 15% dos entrevistados pretendem comprar carro em 2012. No ano passado, essa fatia era de 18%.

No caso do celular, o recuo também foi expressivo: 17% planejam comprar telefone, ante 25% em 2011. Viagens e eletrodomésticos também apresentaram queda na intenção de compra no último ano, de 32% para 25% e de 38% para 30%, respectivamente. "A população não vai parar de gastar, mas está mais racional", diz Carreiro Filho.

Apesar dos ganhos de renda, até mesmo a classe C, a mais beneficiada pelo aumento do salário mínimo e pelo avanço dos preços dos serviços, pretende comprar menos neste ano. A intenção de compra de eletrodomésticos, por exemplo, é de 33% neste ano, ante 37% em 2011.

No caso do automóvel, o recuo também é significativo. Neste ano, 15% dos entrevistados da classe C manifestaram intenção de adquirir um veículo, ante 18% no ano passado. Já o sonho da casa própria se mantém para essa classe social. Neste ano, 10% dos entrevistados pretendem comprar um imóvel, o mesmo porcentual de 2011.

Já para as classes de menor renda (D/E), o único item cuja pretensão de compra aumentou de 2011 para 2012 foi a casa própria. Para este ano, 9% pretendem adquirir um imóvel, ante 6% em 2011. / M.C.

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