Sergio Castro
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População desempregada alcança recorde de 12 milhões, afirma IBGE

Taxa de desemprego fica em 11,8% no trimestre até agosto maior resultado já registrado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2016 | 09h17

RIO - A taxa de desocupação no Brasil ficou em 11,8% no trimestre encerrado em agosto de 2016, o maior resultado já registrado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).  A série histórica da pesquisa foi iniciada em 2012 pelo instituto. O resultado ficou dentro das expectativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que estimavam uma taxa de desemprego entre 11,40% e 11,90%, com mediana de 11,70%.

O País alcançou o patamar recorde de 12,024 milhões de desempregados no trimestre encerrado em agosto, dentro da série histórica da pesquisa. O resultado representa um aumento de 36,6% em relação ao mesmo período de 2015, o equivalente a 3,220 milhões de pessoas a mais em busca de uma vaga.

A população ocupada encolheu 2,2% no trimestre encerrado em agosto, como consequência do fechamento de 1,991 milhão de postos de trabalho. Em igual período do ano passado, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua estava em 8,7%. No trimestre encerrado em julho deste ano, o resultado ficou em 11,6%.

O Brasil perdeu 1,363 milhão de vagas com carteira assinada no período de um ano, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado equivale a uma redução de 3,8% no total de trabalhadores formais no setor privado no trimestre encerrado em agosto ante o mesmo período de 2015. Em dois anos, já houve o fechamento de 2,5 milhões de vagas com carteira assinada no setor privado, observou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento no IBGE.

Ao mesmo tempo, o setor privado contratou mais 122 mil pessoas sem carteira assinada, um avanço de 1,2% no total de ocupados nessa condição no período de um ano. O trabalho por conta própria ainda cresce nesse tipo de comparação, 0,4%, com 86 mil pessoas a mais. Já o trabalho doméstico avançou 1,4%, com mais 84 mil empregados no período de um ano.

Segundo Azeredo, o aumento de 1,3% na população inativa no trimestre encerrado em agosto ante o mesmo trimestre de 2015 pode estar ligado ao avanço no desalento, pessoas que deixam de procurar emprego porque acreditam que não conseguiriam uma vaga. 

No período de um ano, 809 mil pessoas deixaram a força de trabalho."O quadro que pode estar levando a isso é o aumento do desalento, mas a gente não tem certeza", ponderou Azeredo. 

Renda. A renda média real do trabalhador foi de R$ 2.011 no trimestre até agosto de 2016. O resultado representa queda de 1,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A taxa de desemprego só não aumentou mais porque a população inativa cresceu 1,3%, o que significa que 809 mil pessoas optaram por deixar a força de trabalho em vez de procurar emprego. A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 177 bilhões no trimestre até agosto, queda de 3% ante igual período do ano anterior.

Desde janeiro de 2014, o IBGE passou a divulgar a taxa de desocupação em bases trimestrais para todo o território nacional. A nova pesquisa substitui a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que abrangia apenas as seis principais regiões metropolitanas, e também a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) anual, que produz informações referentes somente ao mês de setembro de cada ano. 

Indústria. A indústria cortou 229 mil postos de trabalho no trimestre encerrado em agosto ante o trimestre imediatamente anterior, encerrado em maio. No período de um ano, o setor demitiu 1,420 milhão de pessoas.

A redução na ocupação na indústria mostra um cenário complicado, porque o segmento costuma começar as contratações nessa época do ano para dar conta das encomendas para o Natal, disse Azeredo.

"A queda na indústria em pleno terceiro trimestre é mais complicado. É o momento em que a indústria começa a entrar num processo de aquecimento. Mas num momento em que há uma massa salarial menor, você não faz essa máquina funcionar. Se você tem a massa caindo, essa turbina não vai ligar", justificou Azeredo.

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