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População espera pela nova faixa da BR-101 na Grande Florianópolis

Para moradores, alargamento da pista vai deixar local mais seguro e diminuir número de acidentes

Tomás M. Petersen, Especial para o Estado / Morro dos Cavalos (SC), O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2014 | 02h03

José dos Passos Fernandes, 49 anos, vive há 10 em uma casa no Morro dos Cavalos. Ele trabalha há seis anos como manobrista de caminhões de um restaurante que fica bem no topo da pista, do outro lado da aldeia indígena Itaty.

Para ele, a construção da quarta pista já deveria ter acontecido faz tempo. Os motivos são pessoais: sua esposa, Cassilda Carvalho, foi atropelada quando tentava atravessar a rodovia. A data está fresca na cabeça: 24 de julho de 2010, quando ainda não havia uma passarela para pedestres, e o acostamento já estava transformado numa terceira pista, para os motoristas que vão ao sentido norte.

"Ela foi atropelada quando estava quase chegando do outro lado. Quebrou a perna esquerda em dois locais diferentes", disse. Cassilda ficou internada no Hospital Regional de São José, a 36 quilômetros de onde vivem. "Por dez dias eu fui e voltei de bicicleta - não temos grana - para visitá-la", contou.

Como uma das condições da obra é a remoção dos moradores não indígenas que vivem nas terras no entorno do trecho, em vias de serem homologadas como área indígena, Fernandes já conta com a mudança. "Dentro de um ano já teremos nossa casinha nova. Por causa do acidente, estamos pedindo uma indenização maior, então seremos os últimos a sair daqui", contou. Ele ainda não sabe para onde vão, mas sonha em morar na cidade.

Carlos Lopes, 47 anos, trabalha há quatro anos como frentista em um posto na subida do Morro dos Cavalos. Morador da Praia do Sonho, ele conta que o trânsito causado pelo afunilamento da pista é bom para o faturamento. "As pessoas vêm de viagem e param aqui cansadas, para abastecer ou comprar alguma coisa na loja", disse. Ele conta que no último feriado o movimento foi tanto que a gerência teve que fechar a loja de conveniência. "Compraram tudo das prateleiras, não sobrou nada."

O casal Adenir Manoel de Souza, 47 anos, e Dilma Maria Elias de Souza, 46 anos, possui um mercado na Enseada de Brito, bairro de Palhoça afastado da cidade que fica ao pé do Morro dos Cavalos. Dilma é nativa da região, enquanto seu marido se mudou cedo para lá. Eles se conheceram, casaram e tocam o negócio juntos há 20 anos.

"Essa obra vai ser muito boa para todo mundo, vão diminuir os acidentes", diz Adenir. Outro problema causado pelo estreitamento da pista, apontado por ele, era o do movimento dentro do bairro. Motoristas que queriam evitar o congestionamento da BR-101, pegavam a saída da estrada e cortavam caminho por dentro da Enseada de Brito. "Acabava trancando tudo aqui dentro e prejudicando os moradores. Ainda bem que fecharam a saída para a BR", disse.

Sobre a polêmica envolvendo a demarcação de terras indígenas e a possível remoção de moradores, eles comentam com certa imparcialidade. Segundo o casal, o lugar onde moram não está contemplado na área a ser homologada. "Lamentamos, pois muita gente que vai ter que sair tem propriedade aqui na Enseada há 80 anos", disse Adenir. "Mas não temos nada contra os índios, eles são gente boa, compram com a gente. Já ajudamos também mandando cestas básicas."

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