População mantém protestos pelo impeachment de juízes

Sob forte sol e calor de 30 graus, os argentinos se armaram novamente com panelas, chaves, tampas, latas e demais instrumentos ruidosos para novo panelaço contra os juízes da Corte Suprema de Justiça. "Para que vão todos embora." Com este grito de guerra, a população tem se reunido no final da tarde de todas às quintas-feiras, em frente ao Palácio de Tribunais, sede da Corte Suprema de Justiça, para pedir o impeachment dos nove juízes. Também nas terças e quartas-feiras, populares fazem passeatas com panelaço na city portenha, golpeando e pichando portas e invadindo os bancos para que devolvam o dinheiro preso no "corralito", bem como os dólares pesificados. Já às sextas-feiras, os vizinhos, como são chamados os moradores dos bairros de Buenos Aires que começaram os panelaços, realizam passeatas e protestos na Praça de Maio.Em meio a todos estes protestos, desempregados, aposentados, funcionários públicos e profissionais liberais participam dos mais diversos piquetes, que interrompem o trânsito em ruas, avenidas, estradas, rodovias e pontes. Apesar de o presidente Eduardo Duhalde ter dito em seu programa de rádio que "os panelaços são cada vez menores e não se ouvem tanto", os argentinos demonstram um grau de mobilização elevado . Não há um dia em que não haja algum tipo de protesto no país, tanto na Capital Federal como no interior. Também é mais visível a adesão de advogados, constitucionalistas e formadores de opinião ao movimento popular, que nasceu nas esquinas dos bairros mais tradicionais de Buenos Aires. Hoje, também já se pode ver, lado a lado, um morador da Recoleta, um dos bairros mais caros, chiques e turísticos de Buenos Aires, e um desempregado, que faz parte do movimento dos piqueteiros (os que bloqueiam o trânsito) e vive na periferia da Grande Buenos Aires. Os piqueteiros, até então marginalizados em busca de empregos e de alimentos, engrossaram o coro da classe média que grita: "devolva o nosso dinheiro" e "queremos eleições gerais já".

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