Herton Escobar/Estadao
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Populismo é risco para o meio ambiente no País

No Brasil, políticos dão valor apenas aos resultados a serem obtidos até a próxima eleição; se tivessem preocupação com o planeta, jamais promoveriam a queda artificial dos preços do petróleo

Affonso Celso Pastore*, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2022 | 04h00

Há meio século Milton Friedman publicou um artigo onde afirmava que a única responsabilidade social da empresa é o lucro. Embora existam economistas que nunca se livraram da doutrina old school de Chicago, esta vem sendo crescentemente rejeitada pelas empresas, como denota sua adesão aos princípios do ESG (Meio Ambiente, Social e Governança, na sigla em inglês). 

No campo do meio ambiente, os empresários estão preocupados em utilizar fontes de energia limpa, em cuja produção investiram recursos com um retorno social muito maior do que o retorno privado. Se o Brasil tem hoje uma matriz energética limpa, não é apenas devido aos investimentos na geração hidráulica, mas também nas gerações eólica e fotovoltaica. A isso se somam os investimentos na produção de biocombustíveis. Nestes investimentos houve, inegavelmente, a busca do lucro, porém com um peso enorme dado à preservação do meio ambiente, reduzindo as emissões de CO2.

Em artigo publicado nesta coluna, antes da pandemia, relembrei a história de Frank Ramsey, um filósofo de Cambridge contemporâneo de Keynes, pioneiro do modelo neoclássico de crescimento, no qual, nas decisões com efeitos a curto e a longo prazo, os governantes usavam uma taxa de desconto nula. Por respeito às gerações futuras, a obrigação dos governantes é levar em consideração os custos e benefícios tanto da geração atual, quanto da de seus filhos e netos. Por isso, governantes dignos do cargo deveriam usar uma taxa de desconto nula ou, pelo menos, muito baixa. 

No Brasil, ao contrário, os políticos tomam decisões com taxas de desconto enormes, dando valor apenas aos resultados a serem obtidos até a próxima eleição. Se tivessem preocupação com o meio ambiente, jamais promoveriam a queda artificial dos preços de uma fonte de energia emissora de CO2, que é o petróleo. Saberiam que seus preços altos incentivam a produção de fontes de energia limpa. 

Com o olho na sua popularidade e na eleição de 2022, Lula propõe que, se eleito, interferirá na Petrobras baixando os preços do petróleo, sob a alegação populista de beneficiar os brasileiros, e não seus acionistas estrangeiros. Da mesma forma, Ciro Nogueira, o atual ministro de facto da Economia, enviou ao Congresso uma PEC que, além de contrariar o espírito da Lei de Responsabilidade Fiscal e de adicionar um “jabuti” elevando os gastos, isenta de impostos os combustíveis fósseis. O horizonte de ambos é apenas a eleição de 2022. As gerações futuras que se lasquem!

*EX-PRESIDENTE DO BC E SÓCIO DA A.C. PASTORE E ASSOCIADOS. CONTRIBUI COM O PLANO ECONÔMICO DE SERGIO MORO

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