Joédson Alves/EFE
'Estou sendo atacado', disse Guimarães. Joédson Alves/EFE

Por cargos e corte de R$ 3,5 bi, presidente da Caixa diz que está sendo alvo de ataques

Nos primeiros 20 dias à frente do banco público, Pedro Guimarães trocou todos os vice-presidentes e 38 dos 40 diretores; executivo recebeu críticas, levadas a Bolsonaro por líderes de partidos da base, de que não tem atendido os parlamentares

Murilo Rodrigues Alves e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2019 | 04h00

BRASÍLIA - O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, afirmou que está sendo atacado porque promoveu mudanças na estrutura da instituição e vai cortar R$ 3,5 bilhões em compras. Nos primeiros 20 dias no cargo, Guimarães trocou todos os vice-presidentes, 38 dos 40 diretores e 74% dos 84 superintendentes regionais. Ele promete vender prédios do banco, ser mais duro nas negociações dos contratos em várias áreas, incluindo gastos com segurança, e reduzir desembolsos com patrocínio e publicidade.

“Não sei se isso foi feito em algum banco na história. Meu compromisso é com a Caixa. Não tenho outro compromisso”, diz Guimarães. “Estou sendo atacado diuturnamente. Por quê? Por que só eu mudei todo mundo ao mesmo tempo e vou economizar R$ 3,5 bilhões em dois anos.”

Para atingir a meta de economia até 2020, Guimarães planeja vender prédios que o banco tem em todo o País, inclusive agências próprias, e renegociar condições dos contratos do banco. “É óbvio que se vai reduzir R$ 3,5 bilhões de despesas é porque era muito fácil gastar aqui na Caixa”, afirma. O presidente diz que “não faz nenhum sentido” a Caixa ter sete prédios apenas na Avenida Paulista e 15 edifícios em Brasília, sendo um, com cinco andares, usado apenas para fazer exames de admissão dos funcionários. “O que estou querendo saber? Quem são os donos desses imóveis? Será que eu vou achar? Será que vou descobrir que os donos desses imóveis se beneficiariam da Caixa?”

Entre os contratos que devem ser renegociados, cita aluguéis e gastos com segurança. “A Caixa é ineficiente nas despesas e ineficiente em cobrar receitas. O banco paga muito mais que a média dos concorrentes e recebe muito menos.”

Críticas

Na última reunião de líderes de partidos da base, o presidente Jair Bolsonaro ouviu críticas de que Guimarães estava se recusando a receber os parlamentares, o que é considerado uma ofensa no Congresso. Os deputados que marcaram audiência com ele foram recebidos pelo assessor parlamentar.

Guimarães afirma que levam em conta apenas o início da sua gestão. “Não tenho nenhum problema em falar. Mas é óbvio que estamos mudando as coisas aqui na Caixa. Vejo uma relação ótima e, se tiver alguma reclamação, vamos conversar.”

Segundo Guimarães, ontem mesmo ele receberia quatro deputados. Ele já foi a seis Estados, onde se encontrou com seis governadores e sete prefeitos, além de funcionários do banco e empresários. Uma experiência, que segundo ele, tem dado certo para buscar soluções. “Aqui em Brasília as pessoas dizem o que você quer ouvir: que não tem problema nenhum, mas a realidade do Brasil é muito diferente.”

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Abrir capital bloqueia corrupção, diz Guimarães

Presidente da Caixa planeja listar quatro áreas do banco no mercado dos EUA e estima que operações devem levantar pelo menos R$ 15 bilhões

Murilo Rodrigues Alves e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2019 | 04h00

O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, diz que a abertura de capital (IPOs) de quatro áreas do banco no mercado americano será uma “blindagem” do banco contra a corrupção. Com os IPOs, Guimarães diz que a Caixa e os seus dirigentes estarão “expostos” ao mercado, que fará suas cobranças.

Ele lembra que a lei americana Sarbanes-Oxley exige um nível de exposição dos executivos muito maior que no Brasil, que podem até ser presos. “A abertura de capital nos Estados Unidos é blindagem para o futuro e legado em termos de governança”, diz. “Quando você lista uma empresa nos EUA, o legado em termos de governança é outro, inclusive para os dirigentes, que podem ser presos, literalmente. Num nível muito mais pesado. A lei extremamente dura com os executivos”, avalia ele.

Ao Estado, Guimarães afirma que a expectativa de receita de R$ 15 bilhões com os IPOs das áreas de cartão, seguridade, loteria e gestão de ativos de terceiros (asset) “é o piso”. Segundo ele, esse valor pode aumentar a depender do porcentual de oferta de ações que será oferecido nas operações. O governo avalia uma oferta entre 15% e 30%. “Não quero falar um número mais alto para não dizer que R$ 1 bilhão para baixo teve problema. Esse número leva em conta uma abertura menor, de 15% a 20%”, explica.

Guimarães disse que a discussão de valor envolve uma decisão do ministro da Economia, Paulo Guedes, e o secretário especial de Desestatização, Salim Mattar. “Podemos fazer uma oferta secundária”, antecipa. Segundo ele, se a Caixa abre capital direto e vende tudo, o preço acaba ficando baixo.

Com os recursos obtidos com os IPOs, a Caixa vai pagar os empréstimos obtidos com o Tesouro. O valor da dívida soma R$ 40 bilhões e a meta para devolução do dinheiro são quatro anos.

O cronograma é fazer os IPOs das áreas de seguridade e cartões no segundo semestre e de loterias e asset no primeiro semestre do ano de 2020.

Consignado

O banco vai lançar em abril um cartão de crédito consignado. A meta é ter 20 milhões de cartões nos próximos quatro anos. Atualmente, a Caixa tem 96 milhões de cartões de débito e apenas 5 milhões de cartão de crédito, marca que mostra a ineficiência do banco no segmento. Para Guimarães, também é inaceitável que o a instituição que tem 100 milhões de clientes não tenha sua própria marca de “maquininha” para o negócio de cartão. “O banco vai entrar nessa área e explorar o mercado de recebíveis.” Como o maior banco do Hemisfério Sul recebe zero em pré-pagamento. Vou ter um adquirente só e vou ter uma participação na receita de recebíveis”, informa.

Outra meta é atingir com microcrédito 40 milhões de brasileiros, que trabalham e estão longe do mercado formal e tomam dinheiro a um custo caro. “Pessoal de menor renda que tem poucos produtos e produtos muito caros é o nosso foco”, avisa.

Ele defende uma maior competição com a entrada dos bancos estrangeiros, principalmente nos empréstimos aos Estados. Hoje, a Caixa é a maior credora dos governos estaduais.

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