Por causa da crise, empresas argentinas valem menos

Segundo estimativas realizadas pelo jornal argentino Clarín, a crise do governo da presidente Cristina Kirchner com o setor ruralista - e a conseqüente escalada das incertezas econômicas no país - provocou uma perda do valor das empresas argentinas. A avaliação realizada pelo periódico sustenta que as companhias do país vizinho perderam entre 15% e 30% de seu valor ao longo dos últimos seis meses. De acordo com o jornal, os investidores internacionais perderam o interesse nas empresas locais, o que levou a uma forte queda no processo de fusões e aquisições. Segundo cálculos da consultoria Thomson Financial, em 2006 foram realizadas 111 operações de compra e venda de empresas na Argentina, pelo valor total de US$ 5 bilhões. Em 2007 concretizaram-se 160 operações, resultando em um valor de US$ 9,1 bilhões. Porém, nos primeiros seis meses deste ano, apenas 45 operações foram realizadas e o valor total foi de apenas US$ 413 milhões.O Clarín sustenta que esses tipos de crises podem ser aproveitadas pelos investidores com paciência, já que depois da turbulência, as empresas poderiam ser adquiridas com um valor de 10% a 30% mais baixo.Bem-estarPela primeira vez em três anos, a percepção de bem-estar da população está em queda na Argentina, segundo pesquisa realizada pelo Centro de Economia Regional e Experimental (Cerx). De acordo com o levantamento, o índice que mede a percepção de bem-estar da população caiu 7% no primeiro semestre deste ano. Segundo o Cerx, nos últimos dias de junho o índice era de 49,8 pontos, enquanto no último semestre de 2007 era de 53,5 pontos. Esta foi a primeira queda registrada desde de dezembro de 2005, quando o índice começou a ser medido.Victoria Giarrizo, economista da Cerx, afirma que a queda da sensação de bem-estar deve-se à combinação de inflação em alta, redução de postos de trabalho, além de deterioração da atividade econômica na Argentina.Segundo a pesquisa, 76,7% dos argentinos afirmam que não conseguem uma receita suficiente para cobrir seus gastos mensais, o que representa uma alta de dois pontos porcentuais em relação ao apurado em dezembro de 2007.

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