Fernando Scheller/Estadão
Fernando Scheller/Estadão

Por dentro da vinícola de Carlos Ghosn no Líbano

Localizada a 60 quilômetros de Beirute, Ixsir produz 450 mil garrafas de vinho por ano

Fernando Scheller, enviado especial, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2020 | 08h00

BATROUN, Líbano - É por uma estrada sinuosa que se chega à vinícola Ixsir, na cidade de Batroun, a cerca de 60 km de Beirute, capital do Líbano. Embora o país enfrente uma severa crise econômica, a produção de vinhos está em alta graças à alta incidência de sol na região. Nos últimos anos, os vinhedos se multiplicaram pelo interior do Líbano – hoje, são 80 empreendimentos do tipo. A Ixsir, no entanto, se diferencia por ter um sócio de renome: o ex-presidente da Renault-Nissan Carlos Ghosn, que é cidadão libanês e se refugiou no Líbano depois de escapar da Justiça japonesa, na virada de 2019 para 2020.

A Ixsir se encaixa na categoria de vinícola de médio porte, pois produz cerca de 450 mil garrafas ao ano, distribuídas em mais de 30 países. No Brasil, de acordo com o panfleto de apresentação que os visitantes recebem ao chegar à vinícola, a importadora Grand Cru é listada como representante. A marca Ixsir é uma simplificação de uma expressão em árabe que quer dizer “poção mágica do amor e da vida”. 

A sede da vinícola em Batroun fica no topo de uma colina. De um lado, pode-se avistar as montanhas cobertas de neve responsáveis pelo vento frio do inverno do Líbano. De outro, o mar azul bate nas pedras da praia. Os vinhedos da sede têm também um aspecto decorativo. Ao lado das parreiras há oliveiras (que representam os azeites de oliva da marca). A Ixsir também produz arak, uma aguardente tipicamente libanesa recomendada para os fortes, pois seu índice alcoólico é de 50%.

Para compor seus vinhos, a Ixsir usa uma grande variedade de uvas – no total, dez tipos são usados, incluindo cabernet sauvignon, syrah, caladoc e petit verdot. A sede em Batroun é a mais próxima do nível do mar, a 400 metros de altitude, mas a maior parte dos vinhedos da empresa fica em montanhas. A produção do vilarejo de Ainata, por exemplo, ocorre a 1,8 mil metros acima do nível do mar. 

Produção remonta o século 16

Os vinhos da Ixsir custam entre US$ 12 e US$ 42, dependendo da categoria escolhida. A mais barata leva o nome Altitudes, enquanto as mais caras são chamadas de El Red ou El White. No caso da variedade do tinto El Red, a recomendação da casa é que se espere a garrafa completar dez anos antes de abri-la. Deve-se beber somente depois de a bebida “descansar” em um decanter.

Fundada em 2008, a Ixsir se apropria de conceitos ainda pouco comuns no Líbano, com uma operação preocupada com redução de dejetos e reaproveitamento de água. Ao conhecer a área de produção, o visitante desce por salas e corredores escuros, podendo ver a área de armazenamento e engarrafamento dos vinhos sempre à meia-luz. A técnica empregada na Ixsir, diz a companhia, segue os padrões estabelecidos pela família Al-Bitar, que fabricava a bebida na área desde o século 16.

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