Aline Bronzati/Estadão
Sede da corretora XP Investimentos. Aline Bronzati/Estadão

Por duas vezes hoje, XP recomenda Itaú a deixar a empresa se não acredita em seu modelo

Guilherme Benchimol, fundador da companhia, fez a declaração durante uma live promovida pela MoneyWeek, onde afirmou estar confuso com a atitude do Itaú

Cynthia Decloedt, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2020 | 19h31

SÃO PAULO — Por duas vezes, somente nesta quinta-feira, 25, a XP desafiou seu maior sócio, o Itaú Unibanco, a deixar a companhia por não acreditar no modelo de negócio, que nasceu com uma proposta de desbancarização. Seu fundador, Guilherme Benchimol, e o sócio da companhia, Gabriel Leal, afirmaram que se o Itaú não está confortável com o modelo de negócios da XP, deveria repensar sua participação.

O Itaú comprou uma fatia de 49,9%, por R$ 6,3 bilhões de participação da XP em 2016, refletindo um valor de mercado para a empresa de R$ 12 bilhões. Agora, já com seu capital aberto na bolsa norte-americana Nasdaq, a XP, com 19 anos desde sua fundação, já agrega um valor de mercado de R$ 136 bilhões, conforme o fechamento desta quinta-feira. O Itaú, de 90 anos, vale pouco menos que o dobro, ou R$ 249 bilhões.

Benchimol fez a declaração durante uma live promovida pela MoneyWeek, onde afirmou estar confuso com a atitude do Itaú. “Eu fiquei surpreso porque é confuso acreditar que alguém que comprou a sua ação não acredita no negócio e, se isso for verdade de fato, não faria sentido essa pessoa continuar como seu acionista”, afirmou.

Benchimol lembrou que recebe mensalmente entre R$ 10 bilhões a R$ 15 bilhões em recursos que saem dos bancos e fundos “mais caros” e vão para a XP. “Entendo que tenham ficado chateados e estejam tentando vir com algum plano que possa impedir nosso crescimento. Como concorrente não tenho o que dizer; como acionista acho que as palavras não condizem com os atos”.

Gabriel Leal, que é responsável pelo relacionamento com clientes da XP, incluindo agentes autônomos, soltou o verbo para a imprensa, devolvendo ao Itaú o que considerou uma “agressão”. Depois de chamar a campanha do Itaú de atitude desesperada e de quem agride porque não consegue se reinventar e perde R$ 150 milhões ao dia para a XP, Leal disse: “se o Itaú não está confortável com o modelo de negócios da XP, deveria repensar sua participação”. E foi mais longe, disse que o Itaú demorou 90 anos para entender que o cliente está em primeiro lugar, que age com hipocrisia e se beneficia do desconhecimento da população para ganhar dinheiro.

Em uma peça publicitária veiculada em horário nobre da televisão brasileira nesta terça-feira, o maior banco privado do País questionou o modelo de remuneração dos agentes autônomos, profissionais pilares de plataformas de investimentos, como a XP, sugerindo que o Itaú Personnalité, que atende a alta renda, proporciona maior transparência aos seus clientes.

O bate-boca entre XP e Itaú dos últimos dois dias - e que deixou confuso também o grande público - fez circular especulações sobre uma saída do Itaú do capital da XP. O movimento é visto, no entanto, como pouco atraente para o Itaú, no curto prazo. Hoje, Roberto Setúbal e João Moreira Salles, que representam as famílias donas do Itaú Unibanco, estão sentados no conselho de administração da XP. Os sócios da corretora poderiam alegar conflito de interesse para obrigá-los a abandonar o conselho de administração./COLABOROU ANDRÉ VIEIRA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

XP promete colete e doação de cobertor em troca de TED do Itaú para a corretora

Anúncio foi feito pelo CEO da corretora, Guilherme Benchimol; 'promoção' é o mais novo capítulo da desavença entre XP e Itaú após anúncio divulgado em horário nobre

Matheus Piovesana, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2020 | 19h28

Em meio a uma briga pública entre investidor e investido, a XP Investimentos vai dar um colete aos clientes que fizerem transferência eletrônica disponível (TED) do Itaú Unibanco para contas na corretora. A "promoção" foi postada pelo fundador e CEO da corretora, Guilherme Benchimol, em sua página oficial do Linkedin - canal que ele tem utilizado para se manifestar sobre as divergências.

"É isso mesmo que você leu. Nós vamos presentear os clientes da XP que fizerem uma TED do Itaú pra cá e postarem marcando @xpinvestimentos", escreveu o executivo. Segundo ele, para cada colete presenteado, a XP vai doar também um cobertor para pessoas em situação de vulnerabilidade social, por meio de organizações não governamentais (ONGs).

Trata-se de mais um capítulo da briga entre XP e Itaú, desencadeada por uma propaganda veiculada pelo banco em horário nobre da TV Globo. O comercial do Itaú Personnalité questionava a remuneração dos agentes autônomos de investimento, pilares da estratégia de crescimento da corretora, sugerindo que poderia haver conflito entre os interesses dos profissionais e os dos investidores.

Há pouco, o sócio-diretor da XP Inc e responsável pelas áreas de distribuição e relacionamento com clientes da corretora, Gabriel Leal, disse que o comercial foi um "ato de desespero" do banco, e que se o Itaú não está confortável com o modelo da XP, "deveria repensar sua participação" na corretora. O Itaú é o maior acionista individual da XP, com 46,10% das ações da companhia, embora não seja seu controlador.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.