Por economia, produtos saem do carrinho

Consumidores reduzem compras de produtos supérfluos e trocam a carne pelo frangodasdasdasa

Márcia de Chiara, O Estado de S.Paulo

12 Abril 2015 | 02h05

O representante autônomo de vendas Antônio Sérgio Gennari, de 63 anos, pai de três filhos, sentiu o aumento de preços em vários itens de alimentação - e até na ração dos cachorros. "Na semana passada paguei R$ 119 por um saco de ração de 20 quilos. Antes gastava R$ 99", disse. Para contrabalançar as despesas, ele está completando a refeição dos dois cães com arroz e frango. Mas não vê muita saída, pois também o frango subiu de preço.

Na prática, a maior parte dos itens que ele consome ficaram mais caros nos últimos meses. "Senti aumento de preço em tudo." No pão francês, por exemplo, que tem impacto direto da alta do dólar, por causa da farinha de trigo, ele está pagando R$ 14 o quilo. Um mês atrás gastava R$ 11,90.

Outro item que pesou nas despesas são os laticínios. "Queijo parmesão e provolone não estou comprando mais. Substituí pela muçarela." Os seus gastos semanais com alimentos, incluindo frutas, verduras e legumes, cresceram 50% no último mês. Gennari contou que desembolsava cerca de R$ 200 e agora a conta já está em R$ 300.

Carnes. Mas é exatamente na carne bovina que ele detectou as maiores pressões de preços. Na sexta-feira, ele conferia o preço do quilo do filé mignon: R$ 35. Mas logo desistiu de comprar. "O preço da carne disparou por causa do dólar."

Essa também é a avaliação da aposentada Hélia Oba, de 62 anos. Ela conta que não ficava sem filé mignon no freezer. "Hoje, eu não tenho uma peça e só compro quando o produto entra em oferta." Hélia lembra que pagava R$ 29 pelo quilo da carne, que agora custa R$ 35.

Quando não encontra o produto em promoção, a aposentada contou que opta por substituí-lo por outros cortes menos nobres e até pela carne moída. Trocar a carne bovina pelo frango é uma alternativa. "Mas o frango já não está tão barato quanto era."

A analista de administração de materiais Marcia Borovac, 52 anos, também começa a optar pelo frango. "Antes, consumia um quilo de carne bovina por semana. Agora é só frango."

Ela disse que também reduziu as quantidades de alguns itens e retirou outros da lista de compras, como, por exemplo, os produtos diet. Até pouco tempo atrás, Marcia comprava bolos prontos diet porque tem problemas de diabetes. Pagava R$ 6 pela unidade. Hoje, esse mesmo bolo custa mais de R$ 10. A saída foi começar a fazer bolo em casa, reduzindo a quantidade de açúcar que vai na receita. Aliás, o açúcar é um dos produtos nos quais ela constatou alta de preço.

Preço. Marcia disse que mudou nos últimos tempos a forma de fazer as compras. "Antes eu comprava marca, agora procuro preço."

Para conseguir as melhores ofertas, ela faz uma verdadeira maratona: visita três supermercados diferentes em busca de promoção. "Comecei a fazer isso desde janeiro." Antes, Marcia concentrava as compras apenas num único estabelecimento.

"Agora estou tendo mais trabalho, mas compensa porque estou conseguindo economizar", disse ela. A analista está terminando de pagar o financiamento do carro e não pretende fazer novas dívidas.

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