Por emprego, mulheres deixam o Bolsa Família

Depois de quatro anos como beneficiária do Bolsa Família, a família da ex-dona de casa e agora pedreira Simone Nunes Vieira, 31 anos, vai trocar o auxílio mensal de R$ 166 por uma renda próxima a R$ 2 mil. Esta é a renda que ela e o marido Luiz, funcionário do depósito de uma empresa de materiais, passam a auferir com os empregos atuais em Guaíba, cidade para a qual mudaram há três anos, vindos de Camaquã, também no Rio Grande do Sul. "Nosso próximo sonho agora é conquistar a casa própria", revela Simone, manifestando a intenção de se cadastrar em outro programa do governo federal, o Minha Casa, Minha Vida. Na nova fase, o casal terá de deixar os filhos de nove, oito e dois anos com uma tia das crianças e uma vizinha.

O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2013 | 02h03

Para conquistar o primeiro emprego com carteira assinada, Simone, que estudou até a oitava série, passou por um curso de qualificação do Pronatec, entre fevereiro e abril deste ano. Depois, ao saber do cadastramento para a obra da CMPC Celulose Riograndense, candidatou-se a uma vaga em um posto do Sine. Foi chamada há poucos dias e deve começar até o final de agosto. "Não sei ainda qual será exatamente minha tarefa, mas estou animada", afirma.

Também morador de Guaíba, Valdeci Rodrigues da Silva, 47 anos, com ensino fundamental completo, fez o curso de pedreiro oferecido pelo Pronatec e foi chamado para a obra da ampliação da papeleira. Graças a isso vai trocar o serviço de construção de casas, que já faz, como autônomo, pelo emprego com carteira assinada e benefícios sociais existentes.

"Esse é o grande diferencial", afirma. "Meu projeto agora é juntar algum dinheiro e entrar no Minha Casa, Minha Vida." O movimento mostra, ainda, a percepção de que a oferta de empregos está aquecida, sobretudo para quem se qualificou, ao ressaltar que "para quem gosta de trabalhar este é o melhor momento, principalmente na construção civil".

Em Gravataí, a dona de casa Tereza Lucia Dias Pereira, de 57 anos, decidiu tomar o ônibus oferecido pelo programa de busca ativa de trabalhadores da empresa, prefeituras e governo do Estado e foi ao centro da cidade se inscrever para uma vaga na obra de Guaíba, sob chuva gelada e temperatura inferior a dez graus, na sexta-feira.

Estudante da sétima série do ensino fundamental, sem qualificação profissional formal, beneficiária do Bolsa Família, ela foi avisada da oferta de empregos por agentes da secretaria municipal de Assistência Social e foi à luta.

Disposta a trocar o auxílio de R$ 162 mensais por um salário de emprego formal, Tereza diz que está disposta a fazer qualquer coisa para a qual esteja habilitada, desde que não perca as aulas no colégio.

"Para que vou querer Bolsa Família se eu conseguir um trabalho com renda melhor", questiona.

Desempregado, o pintor Antônio José Branco, 40 anos, soube pelo carro de som que passou em seu bairro da procura por trabalhadores e também aproveitou o ônibus disponível para ir ao centro de Gravataí faz fazer sua inscrição. "O salário seria razoável se considerarmos a oferta de transportes e benefícios sociais", avalia, esperando a convocação para as próximas semanas.

Outro morador de Gravataí, o auxiliar de produção Claudio Ferreira, 40 anos, recebeu o panfleto distribuído na cidade e se inscreveu para uma vaga. "A expectativa é boa", disse, sorrindo, ao deixar o posto de cadastramento.

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