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Por que a Grécia voltou a ser o centro da crise na zona do euro?

Economist.com explica o que deu errado na política econômica do país e analisa o impasse entre a Grécia e a União Europeia

Economist.com

11 Fevereiro 2015 | 17h16

No dia 11 de fevereiro, o "eurogrupo" (os ministros das finanças dos 19 países que usam o euro como moeda) se reuniu em Bruxelas para tentar encontrar uma saída para a mais recente fase da crise grega. Poucos meses atrás, a Grécia parecia estar em recuperação. Depois de seis anos de recessão a economia tinha começado a crescer e o desemprego parecia ter atingido o ápice. O governo estava se preparando para concluir a fase final de sua segunda rodada de resgate. O que deu errado?

Resumindo numa palavra: a política. Após um erro de cálculo de Antonis Samaras, o primeiro-ministro anterior, o país se viu jogado numa eleição relâmpago no dia 25 de janeiro. O partido de esquerda Syriza, que se opõe ferozmente à austeridade que era condição para os resgates, venceu nas urnas, formando uma coalizão com um pequeno grupo de nacionalistas de direita. Muitos dos parceiros da Grécia da zona do euro supuseram imediatamente que, ao ser eleito, Alexis Tsipras, o primeiro-ministro, faria aquilo que em grego se chama kolotoumba ("cambalhota"), traindo suas promessas de campanha. Em vez disso, ele e seu ministro das finanças, Yanis Varoufakis, conhecido pelos trajes de couro, dobraram a aposta, indicando formas exóticas de reestruturar a dívida grega e recusando os apelos para prorrogar o resgate da Grécia, que vai expirar no final de fevereiro.

Eles encontraram uma zona do euro surpreendentemente unida em oposição ao plano. Até países como França e Itália, que normalmente seriam solidários com a mensagem antiausteridade de Tsipras, excluíram a possibilidade de cortes nas dívidas, entre outros motivos porque isso representaria perdas para suas economias. O Banco Central Europeu cortou sua principal linha de crédito aos bancos gregos. Os alemães adotaram uma posição particularmente dura: jamais dispostos a atender às demandas dos gregos, eles temem também dar força a populistas semelhantes ao Syriza em outros países periféricos da zona do euro, como a Espanha. Além disso, de acordo com muitos funcionários governamentais, a zona do euro está muito melhor preparada para suportar uma saída grega em relação à última vez que isso pareceu possível. Isso fortalece sua posição nas negociações.

Ninguém deseja a saída da Grécia do euro. Ainda assim, está se tornando cada vez mais difícil delinear os parâmetros de um possível acordo. A Grécia quer permissão para emitir títulos do tesouro de curto prazo para solucionar suas dificuldades de financiamento. Mas o BCE não parece inclinado a permitir isso se a Grécia abandonar os termos do resgate. Da mesma maneira, os lucros de aproximadamente €1,9 bilhão decorrentes de um programa anterior de compra de títulos não serão liberados. De sua parte, os gregos indicaram que podem estar abertos a um novo resgate daqui a alguns meses, talvez sob um nome diferente e administrado por um grupo de instituições diferente da detestada "troica" (Comissão Europeia, BCE e FMI). Mas, sem que a Grécia se comprometa com o aprofundamento das reformas estruturais, a Europa não vai aceitar isso. 

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Da Economist.com, traduzido por Augusto Calil, publicado sob licença. O artigo original, em inglês, pode ser encontrado no site www.economist.com 

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