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Por que as roupas no Brasil são as mais caras do mundo

Confira os motivos apontados no estudo do banco BTG Pactual, que analisou os preços das peças da grife espanhola Zara em 22 países

Leda Samara, especial para o Estadão,

10 de abril de 2014 | 16h44

SÃO PAULO - Um estudo publicado no Estado na edição de sábado, 5, mostrou que o Brasil tem as roupas mais caras do mundo.

Segundo o 'Índice Zara', feito por analistas do banco BTG Pactual, os preços no Brasil chegam a superar em 21,5% em dólares os preços de roupas similares nos Estados Unidos. Os analistas chegaram a essa conclusão comparando os preços de roupas da grife espanhola Zara em 22 dos 87 países onde ela está presente.

Confira alguns produtos que são mais caros aqui, em comparação a outras lojas da varejista espanhola, segundo o estudo do BTG:

Mas, o que explica a disparidade dos preços no Brasil em relação a outros mercados internacionais?

Impostos. Segundo o estudo, além do alto imposto de importação, de 35% sobre peças de vestuário, as roupas importadas ainda são submetidas a quatro outras taxas que, somadas, podem chegar a 140% do valor do produto: IPI, PIS, Cofins e ICMS.

 

 

Em alguns casos o importador tem que pagar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A alíquota incide sobre o valor do produto somado ao imposto importação. Na importação de perfumes, a taxa pode chegar a 42%.

Ainda se aplicam alíquotas do PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social), que na maioria dos casos são de 1,65% e 7,6%,respectivamente, mas podem ter valores específicos para cada tipo de mercadoria.

Já o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), um imposto estadual, tem taxa variável seguindo o que for vigente no Estado em que a mercadoria chegar do exterior e o processo aduaneiro for realizado.

Burocracia. A pesquisa indica que o processo burocrático nas aduanas para desembaraçar as mercadorias importadas também encarece o valor final dos produtos ao consumidor.

Fornecedores. A dificuldade em achar produtores locais também diminuem as chances das marcas venderem a preços equivalentes aos das suas lojas no exterior. Uma forma de baratear os preços seria nacionalizar a produção, mas os fabricantes alegam ser difícil encontrar quem produza com o mesmo padrão de qualidade.

Exemplo. O estudo mostra que uma calça jeans que poderia custar US$50 (R$ 115, com câmbio a R$ 2,30), chega às prateleiras do Brasil com uma carga tributária de 77% sobre o valor do produto, ou seja, custando aproximadamente R$ 203. 

O caso Zara. O estudo do BTG mostra que, quando chegou no Brasil, em 2000, a intenção da Zara era praticar preços equivalentes aos do exterior. O plano foi abortado por inúmeras razões: a taxa de importação, o câmbio desfavorável e até a falta de infraestrutura nos aeroportos.

A marca pretendia enviar suas roupas em três dias para cá em aviões, mas acabou tendo que montar um centro de distribuição em São Paulo, o único fora da Europa, para minimizar os custos e os problemas logísticos.

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