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Por que o preço do bitcoin derreteu quase 30%?

Por que o preço do bitcoin derreteu quase 30%?

Cotação das criptomoedas despencou na quarta-feira, depois que a associação de bancos da China alertou sobre riscos associados às moedas digitais, que nesta quinta tentam se recuperar do tombo

Associated Press

20 de maio de 2021 | 09h46

NOVA YORK - O preço do bitcoin caiu 29% na quarta-feira, 19, depois que a Associação de Bancos da China alertou os bancos membros sobre os riscos associados às moedas digitais. Outras criptomoedas também sofreram quedas acentuadas.

A volatilidade do bitcoin estava à vista de todos: a queda tinha diminuído para menos de 10% nas negociações do início da tarde. O bitcoin perdeu cerca de 40% de seu valor desde 13 de abril, quando atingiu uma alta de mais de US$ 64.606 por moeda.

Antes da quarta-feira, a decisão da Tesla de não aceitar a moeda digital como pagamento para carros e as preocupações sobre a regulamentação mais rígida das moedas digitais foram os principais fatores para o declínio. O preço ainda está em alta de cerca de 31% em 2021 e quase 300% em relação a um ano atrás. 

Na manhã desta quinta-feira, 20, as criptomoedas tentam se recuperar do tombo: o bitcoin sobe 3,78%, chegando a US$ 39.841; o ethereum avança 5,57%, a US$ 2.676,95; e o dogecoin tem valorização de 5,42%, a US$ 0,367.

Saiba mais sobre as moedas digitais e entenda a forte queda desta semana.

Como funciona o bitcoin?

Bitcoin é uma moeda digital que não está vinculada a nenhum banco ou governo e que permite que os usuários gastem dinheiro anonimamente. As moedas são criadas por usuários que as “mineram”, emprestando poder de computação para verificar as transações de outros usuários.

Em troca, eles recebem bitcoins. As moedas também podem ser compradas e vendidas em trocas com dólares americanos e outras moedas. Algumas empresas aceitam bitcoin como forma de pagamento e várias instituições financeiras permitem sua inclusão nas carteiras de seus clientes, mas a aceitação geral ainda é limitada.

Os bitcoins são basicamente linhas de código de computador assinadas digitalmente cada vez que viajam de um proprietário para outro. As transações podem ser feitas anonimamente, tornando a moeda popular entre os libertários, bem como os entusiastas de tecnologia, os especuladores - e os criminosos.

Os bitcoins devem ser armazenadas numa carteira digital, seja online, por meio de uma Bolsa como a Coinbase, ou offline, num disco rígido, usando um software especializado.

De acordo com a Coinbase, existem cerca de 18,7 milhões de bitcoins em circulação e chegarão a existir apenas 21 milhões. A razão para isso não é clara e o paradeiro de todas as bitcoins também é uma incógnita.

O que aconteceu com o preço das moedas digitais?

Na quarta-feira, um comunicado postado no site da Associação de Bancos da China disse que as instituições financeiras deveriam “abster-se resolutamente” de fornecer serviços usando moedas digitais por causa de sua volatilidade. 

Praticamente todas as criptomoedas caíram após a declaração, com a maioria delas registrando perdas entre 7% e 22% de seu valor e as ações da Coinbase caíram 5,4%.

Durante a manhã, o valor o bitcoin chegou a cair para US$ 31,9 mil, metade do pico registrado em abril, quanto atingiu a cotação máxima histórica de mais de US$ 64 mil. A moeda se recuperou ao longo do dia, sendo cotada a US$ 38 mil na noite de quarta. 

O valor do bitcoin pode variar em milhares de dólares num curto período de tempo. No último dia de negociação de 2020, o bitcoin fechou a pouco menos de US$ 30 mil. Em meados de abril, já estava flertando com os US$ 65 mil. O preço subiu depois disso, com algumas oscilações notáveis, antes da virada decididamente negativa na semana passada.

Elon Musk tem alguma coisa a ver com isso?

Sim - tem bastante a ver. Em fevereiro, Musk anunciou que sua empresa de carros elétricos, a Tesla, tinha investido US$ 1,5 bilhão em bitcoin. Em março, a Tesla começou a aceitar bitcoin como forma de pagamento. Essas ações contribuíram para o aumento do preço do bitcoin, e Musk promoveu a moeda digital dogecoin, que também disparou em valor.

No entanto, Musk reverteu o curso em pouco tempo, dizendo na semana passada que a Tesla não iria mais aceitar bitcoin por causa do potencial dano ambiental que pode resultar da mineração da moeda. O anúncio fez com que o bitcoin caísse abaixo de US$ 50 mil e deu o tom para a grande retração na maioria das criptomoedas.

Vários fãs de bitcoin resistiram ao argumento de Musk. Seu colega bilionário Mark Cuban disse que a mineração de ouro é muito mais prejudicial ao meio ambiente do que a mineração de bitcoin.

Um estudo de 2019 da Universidade Técnica de Munique e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) revelou que a rede bitcoin gera uma quantidade de CO2 semelhante a uma grande cidade ocidental ou a um país em desenvolvimento inteiro como o Sri Lanka. Mas um estudo da Universidade de Cambridge no ano passado estimou que, em média, 39% da mineração de criptografia era alimentada por energia renovável, principalmente energia hidrelétrica.

Mas algumas empresas estão usando bitcoin?

A empresa de pagamentos digitais Square e seu diretor executivo, Jack Dorsey - também diretor executivo do Twitter - são grandes defensores do bitcoin. O Overstock.com também aceita bitcoin e, em fevereiro, o BNY Mellon, o banco mais antigo dos Estados Unidos, afirmou que incluiria moedas digitais nos serviços que oferece aos clientes. E a Mastercard afirmou que começaria a aceitar “determinadas criptomoedas” em sua rede.

O bitcoin ficou popular ao ponto de mais de 300 mil transações diárias serem realizadas na criptomoeda em um dia comum, de acordo com o site de carteiras de bitcoin blockchain.info. Ainda assim, sua popularidade é baixa em comparação ao dinheiro convencional e os cartões de crédito.

Há ceticismo em relação ao bitcoins?

Sim, muito. Acompanhar o preço do bitcoin é obviamente mais fácil do que determinar quanto ele vale, motivo pelo qual instituições, especialistas e corretores são céticos a respeito dele e de outras criptomoedas em geral. Moedas digitais eram vistas como substitutas do dinheiro vivo, mas isso não aconteceu até agora. O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, afirmou que o banco central americano prefere chamar as criptomoedas de “criptoativos”, porque sua volatilidade mina sua capacidade de agregar valor, função básica de uma moeda. Ainda que alguns bancos e serviços financeiros estejam aderindo, outros se mantêm afastados.

Uma liquidação de moeda digital causaria danos indiscrimiados?

Agências reguladoras não estão muito preocupadas com a possibilidade de uma quebradeira de moedas digitais arrastar consigo o restante do sistema financeiro ou da economia.

Mesmo com a recente liquidação, as moedas digitais têm um valor de mercado de aproximadamente US$ 1,5 trilhão, de acordo com o website coinmarketcap.com. Mas isso não é muito em comparação ao mercado de ações, de US$ 46,9 trilhões; ao mercado de imóveis residenciais, de US$ 41,3 trilhões; e ao mercado de títulos do Tesouro, avaliado em aproximadamente US$ 21 trilhões no início do ano.

O Banco Central Europeu afirmou na quarta-feira que o risco de as criptomoedas afetarem a estabilidade do sistema financeiro parece “limitado no presente”. Em grande parte, isso ocorre porque elas ainda não são usadas amplamente para pagamentos, e as instituições sob escrutínio da instituição financeira europeia ainda foram pouco expostas a instrumentos criptofinanceiros.

No início deste mês, o Federal Reserve afirmou que uma pesquisa de contatos de mercado constatou que aproximadamente um a cada cinco entrevistados citou as criptomoedas como um choque em potencial para o sistema nos próximos 12 a 18 meses. Isso é uma reviravolta em relação ao terceiro trimestre do ano passado, quando uma pesquisa similar não constatou nenhuma menção a criptomoedas.

Existe alguma forma de regulação?

Autoridades em Washington têm falado a respeito de mais regulação a respeito das moedas digitais, e preocupações relativas a um maior controle tiveram um papel na recente queda de preços.

Gary Gensler, que assumiu como presidente da Comissão de Valores Mobiliários no mês passado, afirmou que os mercados de criptomoedas se beneficiariam de mais regulação para proteger investidores.

Em uma audiência no comitê de serviços financeiros da Câmara dos Deputados, este mês, Gensler afirmou que a Comissão de Valores Mobiliários e a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities, da qual foi diretor, não possuem ainda um “quadro normativo” para negociações de câmbio de criptomoedas. Ele disse acreditar que o Congresso iria finalmente tratar do assunto porque “não há, na verdade, nenhuma proteção contra fraude ou manipulação”.

Como o bitcoin surgiu?

Isso é um mistério. O bitcoin foi lançada em 2009 por um indivíduo ou grupo de pessoas operando sob o nome de Satoshi Nakamoto. Foi, então, adotado por um pequeno grupo de entusiastas. Nakamoto desapareceu do mapa quando os bitcoins começaram a atrair atenção generalizada. Mas seus defensores dizem que isso não importa: a moeda obedece à sua própria lógica interna.

Em 2016, um empreendedor australiano veio a público declarar que era o criador do bitcoin, mas dias depois afirmou que não “tinha coragem” de mostrar provas do que alegava ter feito. Ninguém mais se assumiu como criador da moeda desde então. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL e RENATO PRELORENTZOU 

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