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Por que o Twitter 'bombou' e o Facebook não?

Para analistas, respeito ao investidor e aos processos adotados em Wall Street garantiu sucesso na estreia do serviço na bolsa

Alistair Barr - USA Today, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2013 | 02h15

Anthony Noto, executivo do Goldman Sachs que conduziu a Oferta Pública Inicial (IPO, em inglês) para o Twitter, tuitou: "Ufa!" na quinta-feira, quando as ações do serviço de microblog abriram a US$ 45, um aumento superior a 70% do preço de venda de US$ 26 fixado pela empresa, e continuaram subindo nas transações da tarde.

Noto ficou aliviado porque Wall Street há meses indagava se a IPO do Twitter acabaria sendo um fracasso como a estreia do rival Facebook no mercado de ações, em maio de 2012.

Ao contrário, a oferta do Twitter foi um enorme sucesso, captando cerca de US$ 2 bilhões para a companhia, e proporcionando aos investidores fortes ganhos no primeiro dia. "Foi um sucesso estrondoso, superou até as previsões mais otimistas", disse Scott Sweet, diretor da IPO Boutique, que há muitos anos pesquisa ofertas de ações.

Os papéis do Twitter encerraram seu primeiro dia na bolsa cotados a US$ 44,90, um aumento de 73%. Ontem, no segundo dia, fecharam em baixa, negociados a US$ 41,64, queda de 7,26%. Em comparação, as ações do Facebook subiram menos de 1% no primeiro dia, e despencaram nos meses seguintes.

Sweet e outros analistas e investidores mencionaram várias razões para estes resultados diferentes, inclusive questões técnicas da bolsa, os volumes diferentes das ações ofertadas, o modo como foi a divisão das ações entre investidores e como as companhias se adaptaram à publicidade em aparelhos móveis quando abriram capital.

Wall Street. Mas, em última análise, tudo se resumiu ao respeito pelos investidores institucionais e à maneira como as coisas ocorrem em Wall Street. "Eles respeitaram o processo tradicional de um IPO", disse Brian Wieser, analista do Pivotal Research Group.

Executivos do Twitter, liderados pelo presidente Dick Costolo, realizaram um verdadeiro road show, atendendo a um número maior de investidores, ouvindo perguntas e as respondendo seriamente. O Twitter escolheu US$ 26 quando houve demanda suficiente para colocar um preço mais alto.

Antes do IPO, o Twitter criou um departamento de relacionamento com investidores, sugerindo que a companhia será responsável do ponto de vista financeiro e ouvirá as preocupações dos investidores. "Nada disso aconteceu no caso da IPO do Facebook", disse Wieser.

Durante o road show, os executivos do Twitter enfatizaram que a companhia está desenvolvendo a tecnologia e produtos de publicidade que se beneficiam com a mudança dos computadores de mesa para os smartphones e outras plataformas móveis, observou Dan Miller-Smith, presidente da SyndicatePro.com, empresa de pesquisa que focaliza IPOs.

O Facebook não tratou da questão da publicidade em celulares quando abriu o capital. Por isso, pouco antes do IPO, a companhia cortou suas estimativas, mas somente os grandes investidores institucionais foram informados da mudança. "Isto foi algo catastrófico e antiético", disse Sweet.

Executivos do Twitter disseram também que a companhia deverá gerar margens de lucro antes do pagamento de juros, impostos, depreciação e amortização de 35% a 40% a longo prazo. O Facebook evitou qualquer projeção, e quando o CEO e fundador Mark Zuckerberg respondeu às perguntas feitas pelos investidores, não foi específico.

"Zuckerberg mostrou sua imaturidade nos eventos do road show, aos quais compareceu vestindo agasalhos com a sua marca, o que, na opinião de muitas pessoas, foi um sinal de desrespeito", disse Miller-Smith. Na quinta-feira, quando as ações do Twitter estavam prontas para o início da IPO, Noto não resistiu e fez mais um pouco de publicidade. Ele tuitou "indispensável", talvez referindo-se à utilidade que, na sua opinião, só o Twitter tem. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

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