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Por que os aplicativos de mensagem estão na moda

Editoras, desenvolvedoras de jogos e empresas de comércio eletrônico usam aplicativos como uma nova plataforma de distribuição de conteúdo

Mike Isaac e Michael J. de la Merced, The New York Times

26 de janeiro de 2015 | 18h41


Uma equipe do site de notícias e entretenimento BuzzFeed soube que tinha tirado a sorte grande quando encontrou uma foto antiga do musculoso lutador Dwayne Johnson, o astro do cinema conhecido como The Rock, usando uma pochete e calça jeans de corte datado.

Para atrair mais atenção, a equipe alterou o fundo da foto para uma temática natalina, com a legenda "Dando uma força com a árvore de natal" em letras garrafais. Mas então, em vez de publicar a imagem no BuzzFeed, a equipe a postou no Instagram, o popularíssimo serviço de compartilhamento de fotos.

A partir daí, a imagem adquiriu vida própria. Johnson logo entrou na piada, republicando a imagem em seu próprio perfil do Instagram. Quase 390 mil pessoas curtiram a foto, e a imagem passou a ser debatida no site Reddit.

"Não tentamos botar fogo na história. Não a publicamos na nossa página principal", disse Summer Anne Burton, diretora editorial da equipe YrBFF no BuzzFeed, dedicada a publicar fotos e vídeos nos aplicativos de imagens e mensagens. "Nós a divulgamos apenas no Instagram, e a partir daí ela se disseminou por toda parte. Esse é o sonho." As táticas do BuzzFeed também podem oferecer uma nova perspectiva de como alguns aplicativos de mensagens particulares, como Instagram, WeChat e Snapchat - que já são usados por milhões de pessoas que compartilham textos e imagens com amigos - poderão ser usados no futuro.

Algumas editoras, desenvolvedoras de jogos e empresas de comércio eletrônico estão usando os aplicativos como uma nova (e lucrativa) plataforma de distribuição. Os desenvolvedores têm ampliado os usos possíveis dos aplicativos, tornando possíveis novas funções. E os investidores, enxergando imenso potencial, impulsionaram os aplicativos numa valorização cada vez maior.

"Os aplicativos mais populares que se mantêm no topo das paradas dia após dia, mês após mês, são os serviços de mensagens", disse Fred Wilson, sócio administrativo da Union Square Ventures e investidor do Kik, aplicativo de mensagens popular entre os usuários mais jovens. "Trata-se de um reflexo daquilo que as pessoas fazem com seus celulares." Ele acrescentou, "Depois que se tornam 'portais' completos para o conteúdo celular e comércio, veremos o quanto essa oportunidade é vantajosa." O apelo inicial dos aplicativos é simples. São mais rápidos de usar do que o e-mail, e em geral permitem o envio de textos, links, vídeos e fotos a amigos a um custo mais baixo do que os serviços de texto tradicionais oferecidos pelas operadoras.

E os usos estão se multiplicando. No aplicativo KakaoTalk, por exemplo, os usuários podem descobrir novos aplicativos para smartphone e compartilhá-los com os amigos. No Snapchat, os usuários podem enviar dinheiro uns para os outros dentro do aplicativo. E o Line, aplicativo de mensagens popular no Japão, permite que os usuários façam pagamentos em lojas físicas usando o Line Pay, serviço de pagamentos da empresa.

Logo, veículos de mídia como ESPN, Vice e CNN passarão a publicar conteúdo original diretamente numa nova seção editorial no Snapchat, de acordo com fontes informadas a respeito da ideia que falaram sob condição de anonimato por não estarem autorizadas a fazer comentários públicos.

"A mídia e as comunicações estão convergindo", disse Jonah Peretti, diretor executivo do BuzzFeed. "Parte daquilo que estamos criando agora será um elemento importante desses aplicativos de mensagens nos próximos doze ou vinte e quatro meses." Atualmente, 40% dos assinantes da telefonia celular nos EUA usam aplicativos de mensagem instantânea pelo menos uma vez por mês, de acordo com dados da firma de pesquisas ComScore. Em todo o mundo, o uso de aplicativos de mensagem para celulares aumentou 103% durante 2014, de acordo com a firma de análise do mercado de celulares Flurry.

Algumas das opções mais populares são o Viber, que diz ter mais de 200 milhões de visitantes mensais; Line, o aplicativo de mensagens mais popular no Japão, com 170 milhões de usuários; e WhatsApp, o mais conhecido dentre eles, com mais de 700 milhões de visitantes regulares.

Mas, por enquanto, nem todos os aplicativos estão gerando renda expressiva. O WhatsApp, que pertence ao Facebook, teve em 2013 vendas de apenas US$ 10,2 milhões. A renda veio da pequena fração de usuários que pagam US$ 1 para usar o aplicativo.

Ainda assim, o cálculo do valor de muitas startups do ramo das mensagens continua a aumentar. Em fevereiro, a Rakuten, grande empresa japonesa de comércio eletrônico, comprou o Viber por US$ 900 milhões. No mês seguinte, o gigante chinês do varejo eletrônico, Alibaba Group, comandou um investimento de US$ 280 milhões no Tango, criado seis anos atrás, levando o valor da startup a cerca de US$ 1 bilhão. O Facebook pagou US$ 21,8 bilhões pelo WhatsApp em fevereiro.

Para os investidores, a tese é uma máxima do Vale do Silício: o importante é conseguir que milhões de pessoas comecem a usar o serviço e, mais cedo ou mais tarde, este vai encontrar uma maneira de ganhar dinheiro.

Muitos empreendedores enxergam o WeChat, serviço chinês de imensa popularidade administrado pela gigante da internet Tencent, como o modelo ideal para a construção de um negócio a partir das mensagens. Lançado quatro anos atrás, o aplicativo diz ter agora quase 500 milhões de usuários mensais ativos - que enviam mensagens repletas de imagens, mas também jogam, contratam corridas de táxi e compram passagens de avião no serviço.

Para alguns, o rápido crescimento dos aplicativos de mensagens tem sido uma resposta à natureza mais pública de aplicativos populares como Twitter e Facebook, nos quais as atualizações de status e publicações ficam visíveis para muitos.

"Trata-se de uma experiência muito mais íntima", disse Marissa Campise, sócia do SoftBank Capital, braço de investimentos da gigante japonesa das telecomunicações SoftBank. "Os aplicativos de mensagens são menores e menos visíveis do que as redes públicas, possibilitando mais envolvimento e confiança. Muitas vezes, seu ambiente parece mas controlado, um substituto para o e-mail em tempo real", disse ela.

Os usuários dos aplicativos de mensagens tendem a olhar para seus telefones várias vezes no período de uma hora, destacou o diretor executivo da Viber, Talmon Marco, em entrevista no final do ano passado. Isso torna os aplicativos de mensagens ideais para apresentar outras ofertas como jogos, adesivos virtuais ou até artigos físicos.

A Ásia tem sido um mercado particularmente fértil para a expansão dos usos desses aplicativos. Em 2013, por exemplo, o WeChat se juntou à gigante chinesa dos smartphones, Xiaomi, para oferecer uma quantidade limitada do mais novo celular da empresa disponível para compra exclusivamente no aplicativo de bate-papo. Os usuários poderiam reservar sua unidade e adquiri-la inteiramente dentro do aplicativo WeChat usando o Tenpay, serviço de pagamentos que pertence à Tencent. A Xiaomi disse ter vendido 150 mil celulares em menos de 10 minutos.

O aplicativo WeChat é também uma das maiores centrais onde os consumidores chineses podem encontrar novos jogos para celulares. No trimestre passado, a renda da Tencent com os jogos para celulares foi de 2,6 milhões de yuans, cerca de US$ 420 milhões.

"Eles estão agregando a atenção das pessoas e associando-a a outras formas de comércio", disse Mitch Lasky, sócio da firma de investimentos Benchmark e membro do conselho administrativo do Snapchat.

Ted Livingston, diretor executivo do aplicativo de mensagens Kik, com sede no Canadá e bastante popular entre o público mais jovem da América do Norte, defendeu que os usuários mais novos estão amadurecendo num mundo em que seu portal para a internet foi o celular, e se mostram mais dispostos a buscar novas formas de comércio e exploração.

"Para nós, é como uma corrida para ser o WeChat do Ocidente", disse Livingston em novembro. "Enxergamos uma oportunidade épica do tipo que não surgirá novamente." / Tradução de Augusto Calil

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