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Por reajuste, auditores fiscais da Receita ocupam entrada de gabinete de Meirelles

Como forma de pressionar o governo, os auditores fiscais realizam desde as 10h uma 'operação padrão' em todos os canais de entrada e saída do País

Eduardo Rodrigues e Rachel Gamarski, O Estado de S.Paulo

14 Julho 2016 | 11h34

BRASÍLIA - Dezenas de auditores fiscais da Receita Federal ocupam a entrada principal do gabinete do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Eles prometem só deixar o local após serem recebidos pelo ministro para tratarem sobre o reajuste salarial da categoria. 

O aumento dos salários dos auditores havia sido acordado em 23 de março com o governo da presidente afastada Dilma Rousseff, mas a categoria ficou de fora dos projetos de recomposição salarial de servidores federais aprovados no Congresso Nacional. Agora, os auditores da Receita pressionam para o que o governo do presidente em exercício Michel Temer edite uma medida provisória garantindo o reajuste.

Embora os auditores impeçam a entrada principal do gabinete de Meirelles, no quinto andar do edifício principal do Ministério, não há movimento na portaria privativa do ministro, por onde ele e seus convidados chegam ao prédio. Também há um movimento de ocupação no sexto andar, onde funciona parte do gabinete. Entre os dois andares, a estimativa do movimento é de 250 auditores.

Não há previsão de que o ministro Henrique Meirelles receba representantes da categoria ainda hoje. De acordo com a Fazenda, no entanto, o tema deve ser tratado pelos auditores com o secretário da Receita, Jorge Rachid, e com o ministro interino do Planejamento, Dyogo Oliveira. 

A categoria já foi recebida por Oliveira na semana passada. Na ocasião, o ministro interino disse que o governo estudava o melhor momento para enviar um projeto de lei com esse reajuste ao Congresso. 

Operação Padrão. Como forma de pressionar o governo, os auditores fiscais realizam desde as 10h de hoje uma "operação padrão" em todos os canais de entrada e saída do País. Os trabalhadores pretendem seguir com o movimento durante todo o dia nos portos, aeroportos e postos de fronteira.

O protesto já causa transtorno aos passageiros que chegam do exterior em diversos aeroportos do País. Uma aeronave que vinha dos Estados Unidos para São Paulo teve uma emergência médica e precisou pousar no Aeroporto Internacional de Brasília Juscelino Kubitschek, e os trabalhadores da Receita impediram que passageiros desse voo desembarcassem na cidade.

O grupo que tinha Brasília como destino final tem cerca de 20 crianças, mas estão retidos na área de embarque do aeroporto, sem poder fazer o processo de alfândega, à espera de um novo voo que os levem para São Paulo para só então retornarem à capital federal. 

De acordo com o Sindifisco Nacional, a operação padrão ocorrerá a partir de hoje todas as terças e quintas-feiras no tratamento de cargas e bagagens. Haverá exceção, porém, para medicamentos, equipamentos hospitalares, insumos laboratoriais e produtos perecíveis. 

Nos aeroportos, está previsto um pente-fino para hoje, mas há possibilidade de que esta ação seja adotada permanentemente. Já nas demais repartições da Receita, não haverá análise de processos e ações externas.

Nas segundas, quartas e sextas-feiras, haverá a chamada "operação meta zero", que significa o represamento de créditos resultantes das fiscalizações.

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