Por voto, governo nomeia aliado de deputado para cargo estratégico do Ministério da Justiça

Graças à nomeação de Humberto de Azevedo Viana Filho, governo conseguiu arrematar voto do regime de urgência para tramitação da reforma trabalhista do deputado Kaio Maniçoba (PMDB-PE), aliado de Viana Filho

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2017 | 17h58

BRASÍLIA - Em busca de votos para aprovar as reformas trabalhista e da Previdência no Congresso Nacional, o governo está negociando até mesmo cargos em órgãos estratégicos para a segurança do País. Nesta semana, a Casa Civil nomeou um aliado do deputado Kaio Maniçoba (PMDB-PE) para comandar a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senadi), vinculada ao Ministério da Justiça, em troca do apoio do peemedebista à reforma trabalhista.

A portaria de nomeação do pernambucano Humberto de Azevedo Viana Filho para o cargo de secretário nacional de Políticas sobre Drogas foi expedida pela Casa Civil na última quinta-feira, 20, e publicada na edição dessa segunda-feira, 24, do Diário Oficial da União (DOU). Foi graças à nomeação que o governo conseguiu, dias antes, virar o voto de Maniçoba na votação do regime de urgência para tramitação da reforma trabalhista na Câmara.

Na primeira votação do requerimento de urgência, na última terça-feira, 18, o peemedebista votou contra, contribuindo para a derrota do governo. No dia seguinte, porém, após receber a garantia de interlocutores do governo na Câmara de que seu aliado seria nomeado para o comando da Senadi, o deputado pernambucano mudou de posicionamento e votou a favor da urgência na segunda votação, quando finalmente o regime de tramitação mais rápido para a matéria foi aprovado. 

Procurado, Kaio Maniçoba afirmou que Humberto Viana não foi indicado só por ele, mas por toda a bancada do PMDB. Questionado se a mudança de posicionamento na votação da urgência da reforma trabalhista tinha a ver com a nomeação, o parlamentar pernambucano disse que estava participando de uma comissão e que não poderia falar no momento. Em uma segunda ligação, informou que estava em almoço e que retornaria a ligação, o que não ocorreu até o momento.

Ex-secretário nacional de Defesa Civil do Ministério da Integração durante o governo Dilma e ex-secretário de Administração Penitenciária de Pernambuco, Humberto Viana assumirá o comando da Senadi, após dois meses de vacância do cargo. O último secretário, Roberto Allegretti, deixou o posto logo após Alexandre de Moraes deixar o Ministério da Justiça para virar ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

PHS. A nomeação de Humberto Viana desagradou outro partido da base: o PHS. Segundo apurou o Broadcast Político, a legenda, que tem oito deputados, também pleiteava o comando da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas. "O governo trocou um deputado por uma bancada de oito", disse um governista. Interlocutores do governo na Câmara tentam agora "compensar" a bancada do PHS em outras demandas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.