Porcentual mínimo de capital revelará rigidez de medidas

Apesar do número e da complexidade das novas normas de regulação de Basileia 3, o rigor do novo marco legal do sistema financeiro só será conhecido de fato no segundo semestre. É nos próximos quatro meses que os detalhes técnicos das medidas - inúmeros e fundamentais - serão definidos pelos presidentes de bancos centrais e quando, detalhe importante, chefes de Estado e de governo se reunirão no G-20 em Seul, na Coreia do Sul.

Cenário: Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2010 | 00h00

Nos bastidores da reunião das autoridades monetárias, ontem, a convicção entre técnicos era de que a definição das regras de Basileia 3 é importante, mas seu grau de eficiência ante os excessos do mercado só será conhecido quando os porcentuais mínimos de capital, a serem negociados no segundo semestre, forem definidos.

Há inúmeras e relevantes definições pendentes. São porcentuais de composição dos colchões de Conservação e Anticíclico, o fator de risco de crédito de contrapartes e os porcentuais relativos à alavancagem, para citar alguns exemplos. A relevância desses porcentuais foi reconhecida pelo presidente do BC do Brasil, Henrique Meirelles. "O importante agora é que se prossiga para a definição dos porcentuais, para que eles também sejam adequados", reiterou ao Estado.

O trabalho do Comitê de Basileia não resolve todos os problemas, mas será um passo importante para evitar desmandos no mercado, pelo menos até que novos e pouco transparentes produtos financeiros sejam criados. E, por ser crucial, até o fim de 2010 o jogo de forças entre o lobby do sistema financeiro internacional e os interesses dos governos que exigem mais regulação - entre os quais, Alemanha e França, na Europa, e em certa medida também os Estados Unidos - vai continuar sendo travado.

Uma das arenas nas quais a disputa será mais intensa serão as bolsas de valores. Não por acaso, ontem o Comitê de Basileia aguardou até as 19h05 (14h05 em Brasília), para anunciar as medidas. Naquele momento, em Londres, fechava o pregão da City, a maior bolsa da Europa. Assim, as autoridades monetárias evitaram oscilações bruscas no mercado, que pudessem atender aos interesses de quem quer uma legislação frouxa.

É CORRESPONDENTE EM PARIS

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