Porco verde que brilha no escuro ajuda a criar remédios mais baratos

Cientistas chineses injetaram DNA de águas-vivas em embriões de porcos e provaram que é possível produzir medicamentos com enzimas em animais 

Economia&Negócios,

28 de dezembro de 2013 | 10h47

SÃO PAULO - Cientistas conseguiram desenvolver porcos verdes luminosos ao introduzir no organismo dos animais o DNA de águas-vivas com características fluorescentes.

A técnica pode ajudar a desenvolver a produção de drogas mais baratas e eficazes para tratamentos em humanos.

O DNA de animais de espécies diferentes fica incorporado ao receptor, fortalecendo-o ou tornando-o mais susceptível a medicamentos, segundo estudo dos pesquisadores da Universidade Agrícola de Guangdong.

A pesquisa com o DNA de águas-vivas para criar os porcos verdes que brilham no escuro foi apenas uma primeira experiência, mas chamou a atenção.

Experiência inédita. Foram dez leitões transformados em atração, graças à luminosidade fluorescente. Os animais foram apresentados como os primeiros porcos verdes brilhantes já vistos no mundo.

A mesma técnica já foi usada para criar coelhos que brilham no escuro na Turquia, no início deste ano, e os mesmos cientistas trabalham para desenvolver ovelhas fluorescentes, segundo reportagem do Daily Mail.

A injeção de DNA de águas-vivas nos animais é feita quando eles ainda são embriões. Os leitões nasceram no início deste ano com a estranha capacidade de brilhar no escuro.

Os experimentos com a proteína fluorescente da água-viva começaram na década de 1980, quando cientistas conseguiram produzir camundongos fluorescentes. Desde então, os cientistas já fizeram experiências com gatos, cachorros, coelhos, macacos e leitões.

A maioria dos animais brilha com coloração verde quando estão no escuro, mas em 2007 cientistas sul-coreanos conseguiram desenvolver gatos que brilhavam com a cor vermelha quando ficavam sob a luz ultravioleta.

 

Medicamentos mais baratos. A pesquisa feita na China pelos pesquisadores Zhenfang Wu e Li Zicong será publicada na revista Biology of Reproduction.

O objetivo final da pesquisa é introduzir genes benéficos em animais de maior porte para criar medicamentos menos dispendiosos e mais eficientes.

Segundo os pesquisadores, pacientes que sofrem de hemofilia e precisam de enzimas de coagulação do sangue, por exemplo, podem receber enzimas produzidas de forma mais barata a partir do organismo de animais, em vez de uma fábrica que vai custar milhões de dólares para ser construída.

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