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PORTFÓLIO-O diretor financeiro salvou o 2o trimestre

O trabalho dos diretores financeiros salvou os resultados das empresas abertas no segundo trimestre. O esforço para manter o faturamento sacrificou duramente as margens, mas os lucros do período permaneceram estáveis devido a uma soma de juros e dólar em queda com gestão financeira atilada.

CLÁUDIO GRADILONE, REUTERS

17 de agosto de 2009 | 19h34

Uma pesquisa realizada com exclusividade para a coluna pela empresa de informações financeiras Economática analisou os resultados de 151 companhias abertas que divulgaram seus balanços até a última quinta-feira, e não incluem os números da Petrobras.

A conclusão do estudo é que o faturamento das 151 empresas permaneceu estável, ao redor de 148 bilhões de reais no segundo trimestre do ano. O lucro operacional, porém, caiu 41 por cento, encolhendo para 12 bilhões de reais em 2009 ante 28 bilhões em 2008. Mesmo assim, os lucros líquido encolheram modestos 6,6 por cento, para 16 bilhões de reais.

SETORES

A pior conta do ajuste ficou com as margens de lucro, que recuaram para 11 por cento em média no segundo trimestre de 2009 ante 19 por cento em 2008. Um dos setores em que esse comportamento foi mais notável foi o de telefonia. Apesar de o faturamento ter avançado 22 por cento, a receita operacional encolheu 31 por cento.

A deterioração dos resultados mostra que as empresas telefônicas optaram por manter suas fatias de mercado literalmente a qualquer preço. Promoções agressivas, descontos generosos, bônus sem conta, torpedos sem limite: todas as armas foram usadas para preservar as fatias de mercado, apesar do emagrecimento das margens.

Os dois setores mais prejudicados foram os mais diretamente ligados ao crescimento econômico e às exportações, como mineração e siderurgia. O faturamento das siderúrgicas analisadas caiu para 12 bilhões de reais no segundo trimestre de 2009 ante 20 bilhões no mesmo período de 2008.

O resultado operacional desabou para o vermelho. Foi um prejuízo de 327 milhões de reais em 2009, ante um lucro de 5,3 bilhões em 2009. Na ponta contrária, as empresas de bebidas e fumo conseguiram melhorar sua receita operacional sem ter de elevar o faturamento. A receita operacional quase dobrou, subindo 87 por cento.

DÓLAR E JUROS

Qual a justificativa para o bom resultado final, apesar da queda do faturamento? Os cumprimentos devem ir para os diretores financeiros. O excepcional desempenho financeiro do segundo trimestre nasceu na tesouraria das empresas, não no departamento de vendas.

Em 2008, o resultado financeiro líquido das 151 empresas analisadas havia sido positivo em 224 milhões de reais. No mesmo período de 2009, o resultado positivo aumentou em 4.600 por cento, para 10,5 bilhões de reais. "Uma combinação de quedas nos juros e no dólar turbinou os resultados", diz Fernando Exel, presidente da Economática do Brasil.

Apesar de a redução da cotação do dólar, que caiu de 2,31 reais em 30 de março para 1,95 reais em 30 de junho não injetar um único centavo no caixa, ela faz a dívida líquida da empresa encolher.

"Não afeta o caixa, mas melhora os lucros", diz Exel. "O comportamento do dólar mostra que Deus não apenas é brasileiro, mas também que está perfeitamente alinhado com o governo."

O único ponto a comentar com mais cuidado nos lucros do trimestre é a dependência dos resultados financeiros. O fim de uma empresa é elaborar um produto ou serviço e vendê-lo com o maior lucro possível. Assim, o bom diretor financeiro de uma empresa deve ser um profissional da mais elevada competência, mas da mais baixa criatividade na hora de gerir o caixa. Caso contrário, ele deveria pilotar a tesouraria de um banco.

Os resultados do segundo trimestre mostram que, além de ganhar com a queda das dívidas devido também à baixa dos juros, as empresas lucraram com a valorização do real em relação ao dólar. Se a totalidade das empresas fosse importadora, esse resultado estaria perfeitamente explicado. No entanto, boa parte dos ganhos veio de empresas também exportadoras.

Empresa exportadora que ganha com a queda do dólar é uma contradição em termos. Diretores financeiros cautelosos que façam corretamente o hedge de suas receitas cambiais deveriam obter, no máximo, um resultado neutro. No caso, o resultado positivo mostra que o hedge foi um pouco mais do que neutro.

Não é possível afirmar com todas as letras que as empresas especularam com a baixa do câmbio, mas há fortes indicações de que isso tenha acontecido no segundo trimestre deste ano, devido aos resultados cambiais. Empresas são feitas para vender produtos e serviços. Já ficou provado que especular com o dólar gera problemas.

* O jornalista Cláudio Gradilone assina a coluna Portfólio para a Reuters; as opiniões expressas são de sua responsabilidade.

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