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As expectativas dos economistas se confirmaram. O resultado das contas públicas de setembro mostrou o pior resultado da série histórica para o mês.

CLÁUDIO GRADILONE, REUTERS

30 de outubro de 2009 | 18h56

No mês passado, o governo ficou no vermelho em 5,76 bilhões de reais. Isso é o saldo primário, sem contar os juros.

Em 12 meses, o superávit primário está em 34,7 bilhões de reais, menos de 1,2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Esse resultado é a metade da meta prevista para o ano, que é de 2,5 por cento e muito menos do que os 4,25 por cento que valiam há dois anos.

Só para comparar, em setembro de 2008 o saldo primário havia registrado superávit de 6,6 bilhões de reais. Os técnicos do Banco Central disseram que a causa foram os gastos do governo central (tradução: Brasília), que geraram um déficit de pouco mais de 8 bilhões de reais.

Estados e municípios, tradicionalmente entidades muito gastadoras, ajudaram nas contas. Eles tiveram superávit de 1,7 bilhão de reais. As empresas estatais registraram superávit de 535 milhões de reais.

Pode piorar? Pode, sim. Até setembro, o déficit nominal, que inclui os juros e pode ser considerado, de fato, uma fotografia mais completa de gastos e receitas do governo, está em 87,2 bilhões de reais. No mesmo período do ano passado, essa fatura era de 17 bilhões de reais. A dívida líquida do setor público cresceu de 1,29 trilhão para 1,32 trilhão de reais.

Números assim tão grandes são abstratos demais para serem imaginados. Basta pensar que todos os brasileiros --homens, mulheres, idosos e crianças-- devem, cada um e sem exceção, 6.625 reais.

Na ponta do lápis, o fato de o Brasil dever tanto não é exatamente um problema. Países desenvolvidos são muito menos responsáveis com o saldo de suas dívidas públicas do que o Brasil. O problema é que esses países são conhecidos por honrarem suas dívidas há séculos, ou pelo menos há várias décadas. O histórico brasileiro é mais recente.

Isso faz com que o Brasil tenha de mostrar mais seriedade e aderência aos bons princípios financeiros do que os países desenvolvidos, sob pena de não merecer mais a confiança dessa elusiva entidade chamada mercado financeiro. As consequências de demonstrar irresponsabilidade são imprevisíveis e podem ser drásticas.

RECEBENDO A CONTA

Comecemos pelo sonhado e sofrido grau de investimento. As agências de classificação de risco internacionais são pagas para desconfiar. Elas são merecedoras de todas as críticas: não souberam prever desastres evidentes, como a inadimplência do México no fim de 1994.

No entanto, sua opinião ainda importa muito, especialmente quando é ruim. A deterioração das contas públicas brasileiras pode colocar em risco o rating brasileiro e a perda do grau de investimento quando todos os países emergentes disputam um capital escasso terá fortes consequencias sobre o fluxo de recursos para o Brasil.

Não se pode esquecer que a suposta liquidez internacional não é duradoura. Ao contrário, é dinheiro nascido dos pacotes de ajuda dos governos da Europa e dos Estados Unidos, que circulam em busca de oportunidades para investir. Volátil, esse capital pode desaparecer rapidamente, quando os governos começarem a fechar os cordões de suas bolsas.

Sem o dinheiro governamental, haverá muito menos recursos em circulação e muito menos investidores em busca de oportunidades. Há dois anos, o fato de o Brasil apresentar números de má qualidade era desculpável, pois a necessidade de retorno era tão grande que justificava o risco. Hoje, esse cenário está muito diferente.

O que esperar? A primeira faceta do ajuste já está clara, com a queda de quase 4 por cento do Ibovespa e alta do dólar e dos juros futuros. Não se descarta uma antecipação na política de endurecimento monetário para compensar a frouxidão fiscal, além de bancos privados contendo a expansão do crédito.

Os resultados fiscais mostram uma das mais consagradas verdades das finanças. Quando os gastos saem do controle, as finanças se desequilibram. O que vale para as famílias também vale para o governo: mais cedo ou mais tarde, a fatura dos gastos chega.

* O jornalista Cláudio Gradilone assina a coluna Portfólio para a Reuters; as opiniões expressas são de sua responsabilidade.

(Edição de Alexandre Caverni)

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