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PORTFÓLIO-Quando US$75 bilhões é pouco

O resultado do teste de stress dos principais bancos norte-americanos foi divulgado na quinta-feira. A situação mostrada é preocupante.

CLÁUDIO GRADILONE, REUTERS

08 de maio de 2009 | 19h39

Dos 19 bancos analisados, dez podem precisar de dinheiro extra para fazer frente às perdas previstas no caso do pior cenário de aumento da inadimplência. Na ponta do lápis, o tamanho da fatura chega a 75 bilhões de dólares. O que os especialistas questionam é se esse dinheiro vai ser suficiente.

Tomemos, por exemplo, o Bank of America, que está na pior situação entre as instituições analisadas pelos técnicos do governo. O banco poderá precisar de cerca de 34 bilhões de dólares para fazer frente às perdas provocadas no caso de ocorrer o pior cenário.

É uma ajuda respeitável, maior do que o tão combatido programa de ajuda aos bancos (Proer), decretado pelo governo brasileiro no início do Plano Real. Será que esse dinheiro chega?

Olhando o balanço, parece difícil. O BofA é um mastodonte que, no fim de 2008, tinha 1,8 trilhão de dólares em ativos, dos quais 930 bilhões de dólares eram empréstimos. Tinha um patrimônio líquido de 177 bilhões de dólares, e cada ação tinha um valor patrimonial de 27,77 dólares.

Só para comparar, nesta sexta-feira, dia 8 de maio, elas estão cotadas a pouco mais de 14 dólares, ou metade do valor patrimonial. No pior momento da crise, em outubro, elas chegaram a um mínimo de 2,53 dólares, menos de 10 por cento do valor de livros.

Com certeza, 34 bilhões de dólares são muito dinheiro, mas essa fortuna torna-se uma gota d'água quando comparada ao oceano de empréstimos já concedidos pelo banco, e que potencialmente podem apresentar problemas daqui para a frente. Mais do que a disparidade dos números, sempre é bom lembrar que o teste de stress foi realizado sem que os ativos fossem marcados a mercado.

Esse assunto já foi discutido em colunas anteriores, por isso será tratado com brevidade agora: a ausência da marcação a mercado aumenta muito o risco de os testes de stress não representarem com fidelidade as condições financeiras dos bancos.

Sem marcação, um swap fechado com outra instituição financeira que está contabilizado pelo Bank of America a 100 por cento de seu valor de face pode gerar um prejuízo inesperado e não coberto pelas estimativas do teste de stress.

Permanecendo no exemplo do Bank of America. Suponha que apenas 1 por cento dos 930 bilhões de dólares em empréstimos tenham de ser liquidados a mercado na próxima segunda-feira. Pode ser a falência de uma empresa de poupança e empréstimo do Wyoming, que seja a contraparte de compromissos de 1,0 bilhão de dólares com o Bank of America.

Nada que sequer chegará às manchetes dos grandes jornais norte-americanos. No entanto, é o suficiente para desequilibrar os cálculos cuidadosos do Tesouro norte-americano e o bastante para lançar mais uma sombra de desconfiança sobre a solvência do sistema financeiro global.

Como disse um tesoureiro experiente de um banco brasileiro: todos os participantes dos testes sabem que o resultado não resistiria a uma necessidade de fazer caixa rapidamente.

Por isso, a alta dos mercados, tanto o brasileiro quanto o norte-americano, com os resultados do teste de stress deve ser observada com cautela. A euforia foi decorrente da constatação que os gigantes do sistema bancário norte-americano não vão quebrar fragorosamente, como ocorreu com o Lehman Brothers.

Mesmo assim, o fato de os bancos sobreviverem não quer dizer que, de agora em diante, eles vão iniciar uma trajetória de crescimento ininterrupto e rápido até atingir os níveis pré-crise.

* O jornalista Cláudio Gradilone assina a coluna Portfólio para a Reuters; as opiniões expressas são de sua responsabilidade.

(Edição de Alexandre Caverni)

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