Porto da MMX inicia operação em 2014

Com novos sócios no Porto do Sudeste, empresa de Eike Batista deve concentrar esforços na expansão da mina de Serra Azul

MARIANA DURÃO / RIO, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2013 | 02h15

Sem dívidas após a conclusão da venda de 65% do Porto do Sudeste para Trafigura e Mubadala, a MMX focará agora na readequação da expansão da mina de Serra Azul. A empresa contratou a XP Investimentos e o Credit Suisse como assessores financeiros para realizar um novo aporte de capital ou buscar um novo sócio para a mineradora. A operação poderá incluir troca de controle, informou ontem o presidente da companhia, Carlos Gonzalez.

Na primeira teleconferência após o anúncio definitivo do acordo com a trading holandesa e o fundo soberano de Abu Dhabi, Gonzalez afirmou que o novo plano de negócios da MMX Sudeste será apresentado aos investidores na primeira semana de novembro. Com base nele, a companhia deverá renegociar contratos com fornecedores. "Temos ainda um desafio grande na expansão da mina, onde já foram gastos US$ 700 milhões", disse.

A ideia era que a capacidade de produção da mina saísse de 7 milhões de toneladas para 29 milhões de toneladas anuais de minério de ferro. Agora, o tamanho do projeto será readequado e, segundo Gonzalez, irá para algo próximo de 13 milhões de toneladas, volume máximo do contrato da companhia para embarques no Porto do Sudeste. A vida útil da produção de 7 milhões de toneladas vai até 2018.

Segundo o presidente da MMX, as operações do Porto do Sudeste estão previstas para começar no segundo semestre de 2014, com embarques estimados entre 4 milhões e 5 milhões de toneladas naquele ano. Com a entrada dos novos sócios no porto, a MMX passou a ser minoritária na unidade - agora chamada PortCo - com uma fatia de 35%. A companhia terá a opção de elevar esse porcentual em 7,5% no futuro.

Gonzalez explicou que a injeção de capital de US$ 400 milhões feita por Trafigura e Mubadala, somada a US$ 300 milhões que serão desembolsados em duas parcelas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) serão suficientes para tocar o projeto. O montante inclui obras, compra de equipamentos e o comissionamento. A PortCo renegocia com o banco de fomento dívidas relativas ao porto, de mais de R$ 900 milhões. A ideia é estender o prazo de amortização. A dívida total do Porto do Sudeste é de R$ 1,5 bilhão.

Ontem, a MMX confirmou que haverá uma oferta de permuta dos títulos de royalties MMXM11 pelo título Port11, que será emitido pela PortoCo e ficará num fundo de investimentos em infraestrutura (FIP-IE) com cotas listadas em bolsa. A adesão à oferta será opcional. Eike Batista e investidores que detêm, juntos, 66% do MMXM11, assumiram a obrigação de migrar para Port11.

Criado em 2011, o MMXM11 é um título de remuneração variável baseado em royalties pagos trimestralmente por volume embarcado no Porto do Sudeste. A permuta manterá suas principais condições de escritura: direito de receber US$ 5 por tonelada de minério exportada, ajustado pelo índice de inflação americano (PPI) desde setembro de 2010, assim como volumes de obrigação de compra de serviço. No Port11, muda a definição de lucro bruto, gatilho para o pagamento dos títulos.

A projeção é iniciar os pagamentos dos títulos em 2015. O empresário Eike Batista vai abrir mão da remuneração de suas cotas por três anos.

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