Porto de Itaqui quer triplicar movimentação de grãos

Governo maranhense deve lançar edital para a construção de um píer para ampliar a capacidade de cargas agrícolas

O Estado de S.Paulo

26 Março 2018 | 05h00

O Porto de Itaqui (MA) ainda não atingiu todo o seu potencial de movimentação, mas já se prepara para, a partir de 2022, exportar quase três vezes mais do que os 8 milhões de toneladas de soja, milho e farelo embarcados em 2017. Em junho, o governo maranhense, que administra o porto, deve lançar edital para a construção de um píer para ampliar a capacidade de cargas agrícolas. “Com tudo pronto, acreditamos que o maior interesse em se instalar no local será do setor de grãos”, diz à coluna Jailson Macedo F. Luz, diretor de Planejamento e Desenvolvimento do porto. Com a futura instalação, 21 milhões de toneladas de grãos poderão ser escoadas via Itaqui. No ano passado, os embarques externos se deram por dois terminais privados: o da VLI, empresa de logística, e o do Tegram, que é administrado por tradings e que também deve ter sua capacidade duplicada para 10 milhões de toneladas até 2021. 

Reforço. Outro investimento no porto maranhense na área de fertilizantes vem da iniciativa privada, da Companhia Operadora Portuária de Itaqui (Copi), formada por importadoras. A empresa espera receber em 30 dias autorização da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para iniciar a ampliação da estrutura em Itaqui, que em 2017 recebeu 1 milhão de toneladas. Após as obras, deve alcançar 2 milhões. Somando volumes de outros terminais privados de adubos, o porto terá capacidade para

3 milhões de toneladas em 2021.

Aposta certa. Fabricantes de máquinas agrícolas e de construção estão colhendo os frutos da estratégia adotada há mais de um ano, de desenvolver mercados externos para compensar as fracas vendas internas. As exportações no 1.º bimestre cresceram 80% em faturamento e 50,6% em unidades, respectivamente, US$ 293,7 milhões e 982 máquinas, ante os dois primeiros meses de 2017. EUA, Argentina e México, nesta ordem, lideram a demanda, com saltos de 274%, 292% e 178% nas importações. 

Curinga. Montadoras têm encontrado nos EUA e no México mercados receptivos ao excedente da produção brasileira de máquinas. Na Argentina, a procura é mais forte por equipamentos agrícolas. Políticas implementadas pelo presidente Mauricio Macri, como crédito com juros mais baixos e redução do imposto sobre exportações de soja, têm impulsionado a agropecuária local e incentivado produtores a investir na renovação da frota. 

Bem acompanhado. O Brasil terá apoio do International Poultry Council em reunião na segunda-feira com autoridades da Arábia Saudita para discutir o abate halal de frangos. Os sauditas questionam se a técnica do atordoamento das aves antes do abate respeitaria os preceitos do islamismo. A brasileira Marília Rangel, diretora executiva da entidade, estará na reunião. Fonte conta à coluna que ela deve apresentar a opinião dos membros do conselho e defender o método utilizado aqui e em boa parte do mundo. 

Especialização. O Brasil é o principal exportador mundial de frango halal. Em 2017, os embarques para a Arábia Saudita, um dos principais clientes, renderam R$ 1 bilhão.

Fomento ao solúvel. A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e a Apex-Brasil assinam hoje convênio para iniciar o projeto “Brazilian Instant Coffee”, de fomento à exportação. Aguinaldo José de Lima, diretor de Relações Institucionais da Abics, antecipa que o convênio receberá, por um ano, um aporte de R$ 860 mil. Os recursos serão aplicados em ferramentas de inteligência para a estruturação de uma imagem do café solúvel lá fora. “A ideia é construir uma imagem para, depois, acessar os compradores e emplacar acordos bilaterais que diminuam as tarifas impostas à bebida brasileira”, diz. 

Largada. Embora tivesse como objetivo oficial debater os desafios do agronegócio, o “Ato pela Agricultura”, promovido pelo governo estadual na capital há uma semana, pareceu praticamente um ato de campanha. O tom que predominou foi o de apresentação, para as principais lideranças e entidades do agronegócio brasileiro, do pré-candidato Geraldo Alckmin (PSDB-SP) à Presidência. Entre os mais entusiasmados estava o secretário de Agricultura, Arnaldo Jardim, que bradou “Alckmin presidente” por duas vezes, ao fim de seu discurso. À coluna, porém, o governador contemporizou: “Campanha, só em julho”. 

Mais para os maiores. O crédito rural concedido à agropecuária empresarial chegou a R$ 92 bilhões nos oito primeiros meses da safra 2017/2018, entre julho do ano passado e fevereiro deste ano. Os números são do Banco Central. O total é 12,1% superior ao de igual período da safra passada. Já a agricultura familiar demandou R$ 15,7 bilhões, aumento de 2,5%. 

Vaguinha. O governo brasileiro iniciou, junto à IEA Bioenergia, braço da Agência Internacional de Energia (IEA), articulação para ampliar a participação no órgão. O diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério das Minas e Energia, Miguel Ivan Lacerda, conversou recentemente com o presidente do comitê da entidade, o holandês Kees Kwant. Apresentou ao executivo detalhes da nova Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) e informou-lhe que o País buscará, no futuro, a presidência da IEA Bioenergia. 

 

COM NAYARA FIGUEIREDO

Mais conteúdo sobre:
agropecuária

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.