Márcio Fernandes/ Estadão
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ESG

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Porto de Santos se reestrutura de olho em privatização

Desde o início do ano, autoridade portuária tem feito uma série de ajustes e corte de custos para melhorar competitividade do terminal

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2019 | 09h00

Envolvido numa série de escândalo nos últimos anos, o maior complexo portuário da América Latina – o Porto de Santos – passa por uma ampla reestruturação de olho no processo de privatização. Desde o início do ano, a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), agora chamada de Santos Port Authority (SPA), tem feito várias mudanças para reduzir custos e elevar receitas. As iniciativas vão de corte de pessoal, limitação de algumas regalias e revisão de contratos do porto.

As medidas devem ajudar a autoridade portuária a reverter o prejuízo de R$ 468 milhões no ano passado e dar maior visibilidade entre os investidores, especialmente os operadores estrangeiros. Até outubro, a administradora do complexo santista havia apurado lucro de R$ 118 milhões.

“Viemos para cá com a missão de preparar a empresa para a desestatização. Para isso, tinha de dar um banho de gestão na companhia”, diz o presidente da SPA, Casemiro Tércio Carvalho. O governo deve contratar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para fazer os estudos e modelagem da privatização da empresa.

À frente da administração do porto desde fevereiro, ele conta que focou os trabalhos iniciais na redução de custos. Isso envolveu até o corte de aparelhos celulares para funcionários. Agora os telefones ficam apenas em lugares remotos, para uso na operação. Houve também demissão de pessoal, como copeiras e motoristas, redução da frota de veículos, revisão de contratos de terceiros e cancelamento de alguns serviços.

Outra mudança foi alocar todos os diretores num único espaço. Antes cada um tinha uma sala com uma estrutura independente. Agora estão todos no mesmo lugar sem a necessidade de ter, por exemplo, uma impressora para cada um, diz Carvalho.

Só com esse trabalho, a companhia deverá conseguir uma economia de 20% neste ano, o que deve somar R$ 130 milhões. Outra iniciativa importante foi transferir a gestão do Terminal Pesqueiro Público de Laguna (SC) para as autoridades locais. Por ano, a SPA gastava algo em torno de R$ 6 milhões com a manutenção do terminal – distante quase 800 quilômetros de Santos.

Do lado das receitas, houve a revisão de alguns contratos, com reajustes de até 75%. A autoridade portuária firmou contratos de transição em áreas com arrendamento vencido. Até agora foram 5 contratos de transição. Carvalho afirma também que houve um trabalho de melhoria operacional para destravar o porto na atracação de navios em qualquer lugar no cais público – o que não era permitido anteriormente. Isso possibilitou a entrada de 46 navios a mais em Santos, disse o executivo. “O efeito disso é que começamos a capturar cargas que tinham deixando Santos para outros portos.”

Para 2020, os planos devem começar com um Programa de Incentivo ao Desligamento Voluntário, aprovado pelo Ministério da Economia e pelo sindicato da categoria. O objetivo é alcançar cerca de 500 empregados antigos, com mais de 35 anos de casa e aposentado. A SPA tem hoje 1.300 funcionário diretos e 900 indiretos.

No lado operacional, o trabalho também é extenso. A empresa trabalha em conjunto com o governo na modelagem dos próximos arrendamentos no Porto de Santos, com o objetivo de criar clusters de movimentação de carga. Isso deve ocorrer numa região chamada Macuco, que inclui a área da Libra Terminais – que não opera mais em Santos desde que entrou em recuperação judicial em meados deste ano.

Nessa área, que já tem movimentação de celulose, a expectativa é leiloar em 2020 e 2021 dois terminais para o transporte do produto. Isso criará no local um corredor com capacidade para 12 milhões de toneladas de celulose – um dos maiores do mundo. Na mesma região, também será licitado um terminal para granéis líquidos.

Uma outra área será leiloada na Alemoa, outra região de Santos. Ali, a expectativa é licitar um terminal de 480 mil metros quadrados para granéis líquidos. Hoje, parte desse terreno, é operado pela Transpetro. O edital deverá sair somente em 2021.

Entre os operadores que estão em Santos, e que preferem não se identificar, o trabalho de Carvalho, por enquanto, está sendo bem avaliado. “A equipe é bem preparada e estão executando um bom projeto”, disse o executivo de um terminal, em Santos.

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