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Porto Seguro busca ir além dos carros

Líder em seguro de automóvel, empresa se prepara para era da economia compartilhada com aposta em cartão de crédito, telefonia e leasing

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Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2016 | 05h00

Líder isolada no setor de seguros para automóveis no País, a Porto Seguro já começou a se movimentar para ficar menos dependente dos veículos. Isso porque uma das principais tendências atuais da economia é o compartilhamento. Ou seja: as pessoas vão se preocupar menos em ser donas de seus carros – ou de qualquer outro bem – e focar mais no uso que farão deles. Isso pode significar que menos automóveis serão vendidos e, no fim das contas, o número de seguros também poderá diminuir.

Embora ninguém possa prever exatamente se a propriedade de veículos irá cair radicalmente, o fato é que as novas formas de consumo vieram para ficar. De acordo com o presidente da Porto Seguro, Fábio Luchetti, a empresa está acompanhando essas tendências e, por isso, busca a diversificação. O grupo, que fatura cerca de R$ 16 bilhões por ano, ainda tem 80% de sua receita concentrada em seguros, com participação massiva dos veículos – segmento em que as margens vêm ficando mais baixas.

Esse “aperto” foi refletido nos resultados da companhia do segundo trimestre, prejudicados pelo aumento nos roubos de veículos e pela crise econômica, que fizeram o lucro líquido do grupo cair 37% em relação ao mesmo período de 2015, para R$ 175 milhões. “O balanço do segundo trimestre foi ruim, tanto que a Porto reduziu a distribuição de dividendos”, explica o analista Eduardo Noshio, do banco Brasil Plural. “No terceiro trimestre, prevemos um aumento de preços e, consequentemente, ganho de margens.”

Enquanto ainda tem a vantagem da liderança e do posicionamento “premium” em veículos, a empresa está tentando crescer além dos seguros. Essa estratégia serve a dois objetivos: angariar novas receitas e também fidelizar os corretores, que geralmente trabalham com várias seguradoras, à marca.

Até agora, a operação alternativa mais desenvolvida é a de cartão de crédito, com 2 milhões de clientes. “No País, é a maior operação de cartões fora de um banco. Mostra a força da marca”, diz o analista do Brasil Plural. A Porto Conecta, operadora virtual da marca, que usa a rede da TIM, já tem cerca de 380 mil assinantes.

As operações complementares – que incluem empréstimos pessoais, consórcios, serviços para a casa e até plano de saúde para pets – também são usadas para fidelizar a clientela. Por meio de um programa de pontuação, a empresa garante descontos maiores a quem tem mais de um produto. Luchetti diz que, apesar de a taxa de renovação da Porto Seguro em veículos ser considerada alta – gira em torno de 80% –, o índice cresce entre consumidores que têm cartão de crédito e celular da marca. “No caso da Porto Conecta, a renovação vai a 97%.”

Inovação. Além dos produtos da área financeira, a Porto Seguro também está lançando, neste fim de ano, o sistema Carro Fácil, serviço de assinaturas de carros que funciona no mesmo modelo de um leasing. Nesse segmento, diz o presidente da Porto Seguro, o objetivo da empresa é se posicionar como uma clara opção para aqueles consumidores que já decidiram que não querem mais ser donos dos próprios carros.

Ao oferecer não só o seguro, mas também as revisões, a assistência e o automóvel em si para os clientes, a companhia continuará no caminho que adotou para crescer nas apólices de veículos: em vez de focar no preço mais baixo, vai se desdobrar para dar “mimos” ao consumidor. Se um veículo do Carro Fácil tiver algum problema, o locatário não terá de levá-lo até a oficina. Basta uma ligação, diz Luchetti, e a empresa irá à casa do cliente. O preço da assinatura do carro, no entanto, começará em R$ 1.370 por mês – e não inclui custos com combustível.

O investimento no serviço diferenciado foi o que garantiu a sobrevivência da marca Porto Seguro até aqui – por isso, segundo o presidente da Troiano Branding, Jaime Troiano, essa característica não pode ser abandonada. “Foram eles que começaram a trazer um lanchinho paras pessoas nos guinchos, quando vinham resgatar as pessoas que haviam batido o carro”, lembra o especialista. “É o tipo de cuidado que faz diferença para quem passou por uma situação de estresse. Tanto que, posteriormente, a concorrência passou a copiar.”

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