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Portos do Norte já são opção para grãos

Novos terminais atraem agricultores que estão acima do paralelo 16; distância menor reduz as despesas com frete

Maria de Almeida, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2015 | 16h17

A eficiência logística para o escoamento da safra brasileira não acompanha os frequentes ganhos de produção e produtividade dos grãos, o que acarreta perda de competitividade ao longo da cadeia produtiva. Tal cenário, porém, vem mudando gradativamente. A exportação de grãos pelo Arco Norte – formado pelos terminais portuários de Itacoatiara (AM), Santarém, Itaituba, Santana, Outeiro, Vila do Conde (todos no Pará) e Itaqui (MA), por exemplo, já é alternativa concreta para escoar grãos produzidos ao norte do paralelo 16 (linha imaginária que corta Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal), reivindicação antiga do agronegócio.

Essa opção para o setor ganhou força com o início das atividades do Terminal de Grãos do Maranhão, do consórcio Tegram – Itaqui. “Idealizado há 12 anos, o Tegram recebeu investimentos superiores a R$ 600 milhões”, diz o porta-voz do consórcio, Luiz Claudio Santos.

Ele conta que o projeto contempla duas fases. “A primeira está concluída, ocupa o berço 103 do porto, que foi dragado para atingir 15 metros de profundidade e atender navios com capacidade para até 80 mil toneladas. No local, temos também quatro armazéns, que somam capacidade estática de 500 mil toneladas.” Segundo ele, esta primeira fase já pode escoar até 5 milhões de toneladas de grãos por ano. “A segunda fase vai ocupar o berço 100 e estará finalizada no primeiro semestre de 2017. Até 2020, movimentaremos 10 milhões de toneladas de soja, milho e farelo por ano.”

Santos estima que entre 70% e 80% dos 10 milhões de toneladas serão embarcados na Ferrovia Norte-Sul. O restante chegará por caminhões. Ele destaca que a ferrovia está em operação. “Cada vagão pode levar até 100 toneladas. Além disso, tem velocidade maior do que as ferrovias do Sul. Mas falta o governo negociar a conclusão de alguns trechos”, diz.

Pouco a reclamar. O diretor-geral da Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes, afirma que, “por incrível que pareça, não temos muito do que reclamar, apesar de as coisas estarem indo mais devagar do que gostaríamos”.

Segundo ele, em 2015, cerca de 4 milhões de toneladas de soja e milho que seriam destinadas aos portos do Sul e Sudeste estão sendo escoadas pelos portos do Norte, principalmente nos terminais de Itaqui (MA) e Vila do Conde, no município de Barcarena (PA), em atividade desde o início do ano.

“Esse volume equivale a 114 mil carretas de 35 toneladas que deixaram de ir para os portos de Santos e Paranaguá. Por isso, sempre pedimos que desenvolvam os portos do Norte.”

Mendes lembra também que a logística para escoar a produção pelo Norte tem custo menor para a colheita que parte da região chamada Matopiba, que reúne produtores do nordeste do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. “Encurtar distâncias reduz a emissão de CO², desafoga os portos do Sul/Sudeste e as entradas das cidades ao longo das rodovias.”

Ele conta que, em 2015, o País vai exportar 96 milhões de toneladas, entre soja, milho e farelo. “Para escoar esse volume é preciso contratar 2,7 milhões de carretas e 1.700 navios transoceânicos.” Segundo ele, internacionalmente a conta que se faz em relação ao custo com o transporte rodoviário e hidroviário é de cinco vezes para o primeiro e um para o segundo modal. “Por esse motivo, os EUA têm grande vantagem. Mais de 60% do escoamento deles segue pelo Rio Mississippi.

O mesmo montante nosso vai por rodovias. Para compensar a desvantagem, nossos produtores têm de ser eficientes da porteira para dentro.” O diretor executivo do Movimento Pró-Logística de Mato Grosso, Edeon Vaz Pereira, diz que a logística para exportação de grãos ainda tem deficiências, mas está melhorando. “Nosso movimento nasceu em 2009, quando não havia nenhum palmo de pista pavimentada na BR-163 (que liga Mato Grosso a portos do Pará).

De lá para cá evoluiu, mas há gargalos em trechos não concluídos. O mesmo ocorre com a BR-158, que corta o País de Norte a Sul. Ela tinha trechos não pavimentados, agora em obras.” Pereira reconhece que há esforço do governo para melhorar os modais. “Mas faltam obras importantes, como eclusas na Hidrovia Teles Pires – Tapajós e a derrocada do Pedral do Lourenço, na Hidrovia Tocantins. Tudo isso está caminhando de forma muito lenta.” Ele lembra que a iniciativa privada também tem feito esforços. “Hoje, Porto Velho (RO) tem capacidade instalada para 12 milhões de t e Miritituba (PA), 5,5 milhões de t. Este último passará a 17, 5 milhões de t até o fim de 2017. Até 2030, alcançará 30 milhões de t/ano.”

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