Portugal aposta no Brasil, mas quer reciprocidade

O presidente de Portugal, Jorge Sampaio, disse hoje em São Paulo, na abertura do II Congresso Empresarial Brasil-Portugal - Desafios do Milênio, que os significativos investimentos das empresas portuguesas no Brasil nos últimos anos mostram a aposta de Portugal no País, independentemente dos riscos que existem e continuarão a existir. Estima-se que o montante de investimentos totais até agora de empresas portuguesas no Brasil se aproxima de US$ 15 bilhões, que teriam gerado pelo menos 100 mil postos de trabalho. No entanto, Sampaio ressaltou aos mais de 500 empresários presentes ao evento, a necessidade de os investimentos também terem mão-dupla, ou seja, que as empresas brasileiras invistam em Portugal. "É preciso que Portugal não seja visto apenas como porta de entrada (para a União Européia), já que o Brasil não precisa de portas", disse o presidente. De acordo com ele, é importante que brasileiros e portugueses criem parcerias visando ao mercado europeu. O ministro de Economia de Portugal, Carlos Tavares, reforçou as palavras do presidente português e insistiu que o Brasil não precisa de Portugal como porta de entrada pura e simplesmente do ponto de vista comercial. "Precisa sim de uma forma de tirar proveito de produzir em Portugal para vender na União Européia (UE)", explicou Tavares. Segundo ele, o presidente Sampaio deixou isso muito claro logo cedo num encontro privado com o vice-presidente José Alencar que, de acordo com relato do ministro, teria reconhecido que o Brasil pode conseguir grandes vantagens no estabelecimento de parcerias entre empresas brasileiras e portuguesas para conquistarem, em conjunto, o mercado europeu. Durante a sua exposição aos mais de 500 empresários, Tavares fez o mesmo apelo e pediu às empresas brasileiras para produzirem em Portugal, onde, explicou ele, existem baixos custos de produção e um quadro político estável. O ministro citou uma série de argumentos para conquistar o interesse das companhias do País. Disse, por exemplo, que o ambiente macroeconômico e a estabilidade financeira, além de um nível de avanço tecnológico, estão entre os fatores que podem ajudar as empresas a serem competitivas no mercado europeu. Sistema financeiro modernoTavares citou também que as profundas reformas feitas em Portugal garantem a produção competitiva e eficaz. O ministro não deixou de mencionar que o sistema financeiro português é um dos mais modernos e eficientes da União Européia. "Portugal precisa de mais e de melhores investimentos estrangeiros e é isso que esperamos dos empresários brasileiros", acrescentou. Ele disse que tirando os últimos seis anos, período em que os investimentos portugueses no Brasil somaram US$ 15 bilhões, chegou o momento de pensar nos próximos seis anos. Com humildade, o ministro afirmou que Portugal jamais poderá oferecer um mercado de 170 milhões de consumidores como o do Brasil e também não tem a pretensão de se comparar à potência industrial brasileira. Mas, acrescentou: ?podemos nos associar?. Ele insistiu que as empresas do País não precisam de Portugal como porta de entrada na União Européia, porque o Brasil pode entrar por qualquer uma das 15 portas da UE.

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