Portugal perde grau de investimento

Nota de crédito do país foi rebaixada pela agência de classificação de risco Fitch, de BBB- para BB+, com tendência de queda

ANDREI NETO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2011 | 03h03

A agência classificação de risco Fitch anunciou na manhã de ontem um novo rebaixamento de dois níveis da nota dos títulos da dívida soberana de Portugal, que perdeu o seu grau de investimento. O país caiu na escala de BBB- a BB+, aproximando-se mais do grau de países em risco de moratória de pagamentos.

É mais um ingrediente na crise europeia, alimentando a insatisfação em um país que enfrentou ontem uma nova greve geral. O rebaixamento da Fitch, que se completa por um viés negativo - com tendência a queda -, leva os títulos do país à classificação "junk", ou "lixo", quando o investimento não é recomendado.

Em comunicado, a agência atribuiu a decisão à degradação do cenário macroeconômico do país, marcado por "grande desequilíbrio orçamentário e elevado endividamento de todos os setores", além de projeções de crescimento cada vez mais pessimistas. A agência afirma que reduziu as previsões de crescimento para a economia portuguesa em função da piora das projeções europeias. A Fitch agora espera que o Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal registre retração de 3% em 2012. Mas a agência diz que as reformas estruturais que devem ser implementadas sob o programa internacional de resgate recebido pelo país devem deixar Portugal em uma posição mais competitiva no longo prazo.

Além da Fitch, a agência Moody's já havia promovido um rebaixamento semelhante, a Ba2 - um nível inferior ao da Fitch. Dentre as três maiores agências, apenas a Standard & Poor's ainda mantém o grau de investimento do país, com a nota BBB-.

Na prática, porém, a mudança do status não tem efeito imediato, porque Portugal já não refinancia suas dívidas nos mercados privados, por contar com um programa de socorro do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Central Europeu (BCE) e da União Europeia.

"Nos próximos dois anos, a recessão torna o plano de redução do déficit orçamentário do governo muito mais desafiador e vai impactar negativamente na qualidade dos ativos detidos pelos bancos do país. Entretanto, a Fitch julga que o compromisso do governo com o programa é forte", diz o relatório.

A previsão é que o país consiga atingir a meta de reduzir o déficit para 5,9% do PIB este ano, mas com o uso significativo de medidas extraordinárias. A mais importante delas é a transferência dos esquemas de pensão dos bancos para o setor público, o que deve gerar um ganho de até 1,7% no PIB.

Entenda a classificação. Os ratings são importantes na hora de atrair recursos de investidores estrangeiros. Isso porque muitos deles escolhem seus ativos em função da classificação de risco emitida pelas agências.

Foi após a crise financeira de 2008, quando diversos bancos e instituições financeiras respeitadas dos Estados Unidos quebraram, que elas entraram no foco de interesse das autoridades e da sociedade em geral. As classificações são a opinião da agência sobre a capacidade do emissor desses títulos de honrar seus compromissos com os investidores.

Como se trata de uma opinião, a credibilidade da nota depende em igual proporção à credibilidade da própria agência. Quanto mais respeitada for, mais considerados serão os ratings concedidos por ela. Moody's, Standard&Poor's e Fitch, todas americanas, estão entre as mais importantes. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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