Portugal Telecom diz ser ‘prudente’ buscar solução para Vivo

Segundo fonte, intenção é chegar a acordo favorável a todas as partes, mesmo que o governo português tenha vetado a venda da operadora brasileira à Telefónica 

Reuters,

22 de julho de 2010 | 08h30

A Portugal Telecom considera "prudente" chegar a uma solução quanto à disputa pela Vivo que seja favorável para todas as partes envolvidas, apesar do governo português ter vetado a venda da operadora brasileira à Telefónica, disse uma fonte oficial da companhia portuguesa.

"A Portugal Telecom considera prudente continuar procurando uma solução aceitável para todas as partes, independentemente do uso da golden share ter impedido a deliberação da assembleia de acionistas", disse a fonte à Reuters.

O fato do governo português ter usado sua golden share para bloquear a venda da participação que detém na Vivo por 7,15 bilhões de euros levantou uma nova discussão, levando a empresa espanhola a contratar advogados, alegando que os executivos da Portugal Telecom podem ter deixado de cumprir suas obrigações de informação ao mercado.

A ação giraria em torno da informação prestada pela companhia portuguesa a investidores, antes da assembleia, de que o Estado não poderia usar a golden share para vetar a oferta da Telefónica, conforme apresentação que a Portugal Telecom fez em um evento do Bank of America Merrill Lynch.

"A posição assumida pelo conselho de administração da Portugal Telecom em relação à golden share, e comunicada ao mercado, está de acordo com a legislação", disse a fonte da empresa.

Um porta-voz da Telefónica disse que os advogados devem se concentrar, principalmente, na possível falha da Portugal Telecom em cumprir com suas obrigações de informar o mercado sobre a golden share.

"Em relação às ameaças da Telefónica sobre este assunto (golden share), a Portugal Telecom não tem quaisquer dúvidas sobre a robustez de sua posição jurídica", acrescentou a fonte.

A Telefónica anunciou nesta quinta-feira ter contratado outro escritório de advocacia para desfazer a Brasilcel - joint venture que possui com a companhia portuguesa e que controla a Vivo.

Acionista diz estar confiante em solução

O Banco Espírito Santo, maior acionista da Portugal Telecom com cerca de 8 por cento de participação, está confiante em uma solução negociada entre a companhia e a Telefónica, segundo o diretor-presidente da instituição.

"É preciso voltar à mesa das negociações e conversar. Há assuntos para explorar para um bom acordo para todos, para a Portugal Telecom, para a Telefónica, para Portugal e para a Espanha", afirmou Ricardo Salgado. "Estou confiante de que esta operação vai acabar bem", acrescentou.

"É melhor adicionar valor para cada um do que ir à Justiça. Ir ao tribunal é um disparate. Temos que ser pragmáticos e olhar para a frente", disse Salgado.

"A melhor forma de proteger a Portugal Telecom de uma oferta pública de aquisição (da Telefónica) é deixar a Vivo ir", disse ele, ressaltando que no Brasil há mercado e "é possível fazer coisas".

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