Portugal Telecom pede mais prazo à Telefónica

Conselho de administração da empresa não conseguiu decidir sobre proposta de espanhóis pela Vivo

, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2010 | 00h00

LISBOA

A Portugal Telecom (PT) pediu à Telefónica mais tempo para negociar a venda da Vivo, segundo o Jornal de Negócios, de Portugal. Ontem, o conselho de administração da empresa não conseguiu tomar uma decisão sobre a oferta de 7,15 bilhões apresentada pelos espanhóis pela fatia dos portugueses na operadora brasileira. O prazo da proposta terminou ontem.

As negociações com a Telefónica passariam a ser lideradas pela comissão executivo da PT, e não mais pelo conselho de administração. A operadora portuguesa tem metade da Brasilcel, empresa que controla 60% da Vivo.

No começo da semana, a Telefónica havia dito que não ampliaria o prazo de sua proposta e, caso não tivesse sucesso na compra da Vivo, recorreria ao Tribunal de Arbitragem de Haia para dissolver a Brasilcel, e então fazer uma oferta ao mercado.

Antes da reunião, o presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, voltou a defender ontem a venda da Vivo à Telefónica. "Temos uma parceria na Vivo que, no meu entender, está esgotada", afirmou Ricardo Salgado, frisando que "gostaria de ver a PT com meios financeiros para começar vida nova, que seria utilizar esses meios para reinvestir no Brasil", de acordo com jornais portugueses. O BES é o segundo maior acionista da PT.

Para o presidente do BES, "ainda há oportunidades no Brasil, onde a Portugal Telecom tem todas as condições para ser uma empresa vencedora".

Nesse sentido, Salgado defendeu que os meios financeiros provenientes da venda da participação da Vivo poderiam permitir à PT estabelecer parcerias com grupos brasileiros, recordando que o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, já "manifestou diversas vezes interesse que a Portugal Telecom continue" no país.

Impacto. As incertezas sobre a Vivo fizeram com que as ações da PT liderassem a queda na sessão de ontem da Bolsa de Lisboa. Os papéis caíram 4,5%, enquanto o principal índice do mercado acionário português baixou 1,78%. A reunião do conselho de administração da operadora portuguesa aconteceu depois do fechamento da bolsa.

O desempenho das ações foi influenciado pela declaração do ministro da Presidência de Portugal, Pedro Silva Pereira, de que o governo voltaria a barrar a venda da Vivo, caso a proposta da Telefónica fosse aprovada pelo conselho da PT.

"A posição do governo é conhecida", disse Pereira. "Pronunciou-se contra, pelo que, se a proposta não se alterar, mantém-se." Há duas semanas, a maioria dos acionistas da PT aprovaram a venda da participação na Vivo para a Telefónica, mas o governo português lançou mão de suas golden shares (ações com direito especial) para barrar o negócio.

Uma semana depois, o tribunal da União Europeia considerou ilegais as golden shares portuguesas.

Interesse. A Telefónica quer comprar a Vivo para uni-la à Telesp, concessionária de telefonia fixa de São Paulo, que apresentou, nos últimos trimestres, resultados abaixo do esperado.

Segundo cálculos da operadora espanhola, a união das empresas poderia gerar sinergias de 2,8 bilhões. Além disso, a Telefónica iria se beneficiar integralmente e decidir sozinha sobre os planos da operação de telefonia celular, um dos mercados de telecomunicações que mais cresce no Brasil.

A PT, por outro lado, tem no Brasil a maior fonte de receita e de crescimento do grupo. O presidente da PT, Zeinal Bava, chegou a dizer que vender a Vivo seria "amputar o futuro" da companhia. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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