Portugal vai produzir álcool combustível

A partir da experiência brasileira, Portugal pode ter o seu Proálcool. Foi assinado hoje em Beja, no sul de Portugal, um protocolo para um estudo de viabilidade de um programa de produção de bioetanol na região da barragem do Alqueva, a maior represa da Europa ocidental, localizada no Alentejo."O estudo será feito pelo consórcio Probiol, formado pela Sondotécnica, pela Deloitte & Touche portuguesa e pela empresa de consultoria Diverpin, de Portugal", conta Jaime Rotstein, presidente da empresa de consultoria brasileira Sondotécnica, que sugeriu a produção de álcool combustível em Portugal.Segundo Rotstein, durante um ano será avaliada a viabilidade de produção de álcool a partir de milho, trigo, beterraba e sorgo sacaríneo no Alentejo. O protocolo assinado hoje prevê uma associação para o estudo entre a Probiol e a estatal Empresa de Desenvolvimento de Infra-estruturas do Alqueva, que gere a barragem e o aproveitamento da água para a agricultura.A produção de álcool em Portugal deve aproveitar uma oportunidade: "Nos próximos seis meses será aprovada uma diretiva da União Européia que vai tornar obrigatório até 2005 a adição de álcool na gasolina, numa proporção de 2%", diz Rotstein.Ele calcula que para o consumo atual de Europa serão necessários 700 milhões de barris por ano. "Nos 110.000 hectares irrigados pelo Alqueva, é possível produzir 4 milhões de barris de álcool por ano".A utilização de álcool como combustível deverá fazer com que haja preço garantido, para que os produtores agrícolas da região passem a produzir a matéria-prima. "Dessa forma poderemos ajudar o Brasil, desenvolvendo uma agricultura européia sem subsídios", afirma Rotstein. Mesmo assim, as necessidades européias vão ser tão grandes que haverá um mercado para a importação.Entre os argumentos para o projeto está o fato de que a região do Alentejo passa por um processo de desertificação e é a mais pobre da Europa continental. "O projeto pode gerar 100 mil empregos diretos e aumentar o rendimento per capita da região em 50%".Segundo Rotstein, a decisão do governo português de embarcar no projeto levou apenas três meses. "O pré-estudo de viabilidade foi entregue em junho".

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