Portuguesa Semapa se une a Apax e Bain Capital para comprar ativos da PT

Portuguesa Semapa se une a Apax e Bain Capital para comprar ativos da PT

Grupo potuguês, dono da segunda maior cimenteira do país e de parte da fabricante de papel Portucel, deve ter até 10% de participação no investimento

MARIANA SALLOWICZ, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2014 | 02h04

Os fundos de investimentos Apax Partners e Bain Capital confirmaram ontem parceria com a portuguesa Semapa, do empresário Pedro Queiroz Pereira, para fazerem uma oferta conjunta para a Oi pela operadora Portugal Telecom (PT). A proposta, já com garantia de financiamento, deve ser apresentada hoje.

O Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, antecipou na quarta-feira que os três negociavam o consórcio. De acordo com comunicado divulgado pela Semapa na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a xerife do mercado de capitais português, foi feito um memorando de entendimento entre os três na quarta-feira. A participação da Semapa no investimento não está fechada, mas ficará entre 5% e 10%.

Os comitês de investimentos dos fundos, situados em diversos países, trabalhavam ontem na aprovação da oferta final, disse ao Estado uma fonte envolvida nas negociações. Esse ponto, que consta como pré-requisito na oferta preliminar, não é visto como um empecilho pelos fundos. A oferta inicial apresentada à Oi foi de 7,075 bilhões.

A Semapa atua com a gestão indireta de participações em três áreas de negócios: papel, por meio do grupo Portucel, cimentos e derivados, com participações no Grupo Secil, e ambiente, pelo ETSA.

Os investidores do grupo português reagiram negativamente à parceria. O motivo foi a expectativa de a empresa reduzir participação no Portucel para se financiar. O diretor financeiro da Semapa, José Miguel Paredes, disse ontem que não será necessário vender ativos ou aumentar a sua dívida, de acordo com a imprensa de Portugal.

Propostas. A Oi já tem duas propostas pelos ativos da operadora PT em Portugal nas mãos e pode sinalizar a preferida ainda hoje, uma vez que tem pressa em aprovar a operação para levantar recursos, que serão destinados para reduzir seu endividamento e também para participar do processo de consolidação do setor no Brasil.

O grupo francês Altice foi o primeiro a apresentar, no início do mês, uma oferta pelos ativos portugueses da tele brasileira, por 7,025 bilhões. Depois de oito dias, veio a proposta dos fundos de investimentos. Ambos condicionam o pagamento de duas parcelas de 400 milhões a resultados futuros.

Uma diferença significativa das propostas é que a da Altice já é garantida, ou seja, chamada oferta firme, enquanto a dos fundos teria de passar por seus comitês de investimentos, além de buscar garantia de financiamento. A oferta que os fundos deverá fazer hoje será firme. Os fundos também já garantiram financiamento de 70% da oferta com o Barclays, banco líder, Bank of America Merrill Lynch e UBS. Os outros 30% são de recursos próprios.

Após a venda da operadora Portugal Telecom, a Oi vai se concentrar no movimento de consolidação do setor de telecomunicações do País. Os cenários possíveis, até o momento, são o fatiamento da TIM Brasil, controlada pela Telecom Itália, entre Oi, Vivo e Claro. O BTG foi contratado pela OI para apresentar propostas de consolidação. Outra opção é uma fusão entre TIM e Oi, ou a aquisição da tele brasileira pela Telecom Itália. Na semana passada, o grupo italiano deu aval ao presidente da companhia, Marco Patuano, para avaliar a Oi.

Correios de Portugal. Em meio à divulgação na imprensa portuguesa de que os Correios de Portugal (CTT) fechariam parceria com os fundos de investimento Apax e Bain para fazer oferta pela PT, a empresa divulgou comunicado em que nega as informações. "Os CTT não irão participar em qualquer proposta firme conjunta com os fundos (Apax e Bain) por referência à aquisição da PT Portugal, nem consideraram qualquer tipo de investimento de capital na PT Portugal."

A empresa portuguesa informou ainda que, "no âmbito do desenvolvimento da sua estratégia e para potenciar as alavancas de crescimento divulgadas, continua a equacionar a celebração de acordos com potenciais parceiros da área de telecomunicações (incluindo a PT Portugal ou os seus potenciais compradores), visando a potenciação de sinergias".

No entanto, os CTT não deixam claro qual seria esse tipo de parceria.

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