Porzecanski: América Latina terá dificuldades

As incertezas em relação à economia norte-americana, provocadas pelas sucessivas altas dos juros e pela forte oscilação em Wall Street, devem atrapalhar um pouco a retomada do crescimento econômico na América Latina. Porém, não tendem a abortar a recuperação do nível de atividade nos países da região. Essa é a avaliação do economista-chefe para as Américas do banco ING Barings, Arturo Porzecanski.O executivo aposta que, por conta da instabilidade no cenário externo, o Brasil deverá crescer 3% este ano, e não os 4% projetados pelo governo. Afinal, lembra ele, a turbulência no cenário externo fez com que o Banco Central (BC) interrompesse a trajetória de queda dos juros, hoje em 18,50% ao ano.Porzecanski trabalha com um cenário de razoável otimismo para a economia norte-americana, além de acreditar num desfecho positivo para a Argentina. Segundo ele, já há sinais de que o nível de atividade nos EUA está se desacelerando. No entanto, ressalta que será preciso acompanhar os indicadores econômicos que serão divulgados nos próximos meses. Caso esses dados mostrem que a elevação dos juros promovida pelo FED, o banco central norte-americano, está realmente desaquecendo a economia, o processo de alta dos juros pode parar. Isso pode ocorrer em setembro, quando as taxas, que hoje estão em 6,50%, devem estar em 7%.A forte correção pela qual passou o Nasdaq também ajuda na desaceleração da economia, pois a queda dos preços das ações provocou a redução do patrimônio de muitos investidores, o que diminui a disposição para o consumo. É por conta desses fatores que Porzecanski diz que há 70% de probabilidade de uma desaceleração suave da economia norte-americana. Se esse quadro se concretize, o BC poderá ter espaço para reduzir os juros, que poderiam chegar a 17% no fim do ano.O economista do ING Barings acredita que, se os juros realmente caírem no segundo semestre, o câmbio deve ficar um pouco mais pressionado, atingindo R$ 1,90 em dezembro. Além disso, a balança comercial costuma registrar déficits no fim do ano, o que também pode colaborar para um dólar mais caro.A inflação medida pelo IPCA, por sua vez, deve ficar acomodada, fechando o ano em 6,5%. E Porzecanski acredita que o Brasil deverá cumprir as metas fiscais acertadas com o FMI. A questão, diz ele, é a qualidade do ajuste. Faltam as reformas - como a tributária, a administrativa e a previdenciária - que acabem com o déficit estrutural das contas públicas.

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